CHICO VELLOZO
CHICO VELLOZO
O botafoguense e torcedor da Portela, Chico Vellozo é formado em erros e acertos da vida e um grande observador do cotidiano. exitodias2@gmail.com

Por: CHICO VELLOZO

09/08/2021

09:23:33

HÁ VIDA NA DERROTA

HÁ VIDA NA DERROTA
Durante o desenrolar do evento esportivo mais importante do planeta nos deparamos com questões recorrentes. A dicotomia vitória/derrota fica intensamente exacerbada no período de realização dos Jogos Olímpicos gerando interpretações variadas. Para alguns, só o fato de participar de uma edição da famosa competição já é uma vitória, mas para outros só a medalha de ouro interessa.

Enaltecer a vitória e condenar a derrota é o usual, sendo muito difícil fugir desse padrão estabelecido. Entretanto, vários fatores intervenientes envolvidos em disputas esportivas devem ser considerados para que haja a desejada evolução da humanidade. Primeiramente, os campeões no esporte necessariamente não desfrutam desse mesmo sucesso na vida. A vitória em competições não garante o equilíbrio emocional e a maturidade necessários para lidar com as dificuldades impostas pelo dia a dia, pois muitos campeões sucumbem quando se deparam com as situações consideradas corriqueiras para uma pessoa “normal”.

Nações altamente desenvolvidas, em muitas das vezes, não alcançam o topo no quadro de medalhas, mas dispõem de um elevado índice de desenvolvimento humano e suas populações desfrutam de um bom padrão de vida. É emocionante ver a bandeira do nosso país tremular em destaque e ouvir o hino nacional durante a cerimônia de premiação na qual a emoção da vitória é plenamente percebida pelas lágrimas vertidas pelos campeões. É tudo lindo e até inesquecível, mas caio na real e constato que há um verdadeiro mundo paralelo. O esporte, em todos os âmbitos, merece uma atenção toda especial, mas é fundamental diferenciar o mérito individual do resultado de uma política nacional esportiva. Infelizmente, vitórias no cenário internacional não garantem condições melhores de vida para a população em geral O fato de sermos pentacampeões mundiais de futebol - uma das modalidades mais disputadas do mundo – não tornou o Brasil um país de primeiro mundo.  Apesar do notório predomínio, continuamos com sérios problemas em áreas essenciais como educação, saúde, segurança, infraestrutura...

As Olímpiadas de Tóquio serviram de vitrine para exemplos encantadores. As provas de skate foram repletas de positividade, apresentando para o mundo um ambiente esportivo distinto em que vale até torcer pelo concorrente, sendo inaceitável desejar o mal desempenho do adversário. Em outra modalidade, a enorme pressão por uma vitória memorável gerou a desistência da ginasta Simone Biles(USA), que acabou abdicando do status de sobre-humana para candidamente reconhecer sua condição de falível e dotada de limitações como as demais. Ela vai entrar para história por renunciar um papel de supermedalhista imposto pela mídia. Sua atitude exemplar deixou patente a relevância prioritária da saúde, seja no âmbito físico ou mental. Foi épico também o instante em que 2 competidores do salto em altura decidiram dividir o primeiro lugar no pódio. Os atletas Gianmarco Tamberi(Itália) e Mutaz Essa Barshim (Catar) protagonizaram uma bonita cena ao compartilharem o “ouro olímpico” celebrando de maneira efusiva aquele acontecimento.

Quem acompanha de perto o esporte brasileiro, sabe que estamos muito distantes de uma realidade minimamente aceitável. A conquista de medalhas não expressa verdadeiramente a situação totalmente adversa enfrentada por aqueles que almejam obter sucesso em esportes de alto rendimento. Temos que admirar verdadeiramente a todos que obtém destaque em suas modalidades esportivas, mas há vida também na derrota. Na situação adversa existe um enorme aprendizado, e quem se propõe a competir sabe que está sujeito a resultados desfavoráveis. No meu caso, fui um esportista muito dedicado e diziam que até “levava jeito para a coisa”. Com certeza perdi mais do que ganhei, mas as pessoas não me consideram um perdedor por isso, acho que algumas até me admiram por ter tentado ser um campeão da vida... bom filho bom pai, bom irmão, bom amigo, bom profissional, bom cidadão...enfim, uma boa pessoa. O mais importante é que me sinto muito feliz pela opção e continuo tentando ser tudo isso!

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