Por: COMUNICAÇÃO PROJETO ALBATROZ - 20/06/2025 12:30:58

DIA MUNDIAL DO ALBATROZ FAZ UM CHAMADO GLOBAL PELA CONSERVAÇÃO DAS AVES OCEÂNICAS E SEU ECOSSISTEMA

Comemorado anualmente em 19 de junho, a data chama atenção para as principais ameaças enfrentadas por esse grupo de aves

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Albatrozes e petréis estão entre as aves mais emblemáticas do oceano, conhecidas por seus voos de longa distância e papel fundamental na manutenção do ecossistema marinho. No entanto, essas aves extraordinárias enfrentam uma convergência de ameaças que está levando muitas espécies cada vez mais rápido à extinção. No Dia Mundial do Albatroz, comemorado anualmente em 19 de junho, o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, e autoridades científicas de todo o mundo chamam a atenção para a necessidade cada vez mais urgente de conservar o oceano para frear a maior parte das ameaças à sobrevivência desse grupo de aves.

Em 2025, o Dia Mundial do Albatroz, organizado pelo Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP) , tem como tema os “Efeitos das Doenças”, representando apenas um dos vários riscos a que estão sujeitas em alto-mar e nas colônias reprodutivas. Os albatrozes estão entre os grupos de aves mais ameaçadas do planeta, com 15 das 22 espécies atualmente classificadas como globalmente ameaçadas pela Lista Vermelha da IUCN.

Essas aves lutam para sobreviver à captura incidental pela pesca industrial, ao fisgar iscas e ficarem presas aos anzóis; a introdução de espécies invasoras nas ilhas de reprodução, como ratos, que comem as aves nos ninhos; a poluição marinha, ingerindo resíduos plásticos ao confundirem com alimento e também pela contaminação química; a interferência humana nos locais de nidificação; as mudanças climáticas, que alteram padrões alimentares naturais, aumentam a temperatura do oceano e o nível do mar em locais reprodutivos; além, é claro, de doenças ocasionadas por patógenos, como a influenza aviária (H5N2).

Os albatrozes e petréis se reproduzem em colônias densas, numerosas e em locais remotos, por isso, são especialmente vulneráveis à introdução de espécies exóticas, mudanças em padrões climáticos e às doenças emergentes. No Oceano Pacífico Norte, o albatroz-de-pés-negros (Phoebastria nigripes) e o albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis) têm suas colônias localizadas em atóis próximos às ilhas havaianas do noroeste dos EUA e vivem sob o risco crescente do aumento do nível do mar e do número e da gravidade de tempestades que resultam em inundações, ambos considerados uma consequência direta das mudanças climáticas. As inundações de tempestades já fizeram pelo menos uma pequena ilha desaparecer no mar, perdendo locais de reprodução para vários milhares de casais de albatrozes; em outras partes da cadeia de ilhas, como no Atol Midway, tempestades causaram inundações de ninhos de albatrozes e perda de filhotes perto da costa.

No Hemisfério Sul, onde há mais de 20 espécies de albatrozes e petréis, o aumento das temperaturas também causa prejuízos. Um exemplo disso é que pesquisas recentes no Atlântico Sul que sugerem que o aquecimento dos mares está aumentando as taxas de ‘divórcio’ entre casais de albatrozes-de-sobrancelha-negra (Thalassarche melanophris), que se alimentam em águas brasileiras.

Já na Ilha de Amsterdã, por exemplo, tanto o albatroz-de-amsterdã (Diomedea amsterdamensis) quanto o albatroz-de-nariz-amarelo-do-índico (Thalassarche carteri), espécies já classificadas como em perigo, estão sob ameaça direta de cólera aviária, erisipela e, agora, potencialmente da influenza aviária de alta patogenicidade.

Ameaça recente: influenza aviária (H5N2)

Segundo a médica veterinária Patrícia Serafini, parceira do Projeto Albatroz, co-coordenadora do Grupo de Trabalho sobre População e Estado de Conservação (PaCSWG) do ACAP e membro líder do Grupo HPAI, que monitora a doença, o surgimento da HPAI H5Nx, um novo vírus relacionado à influenza aviária, representa um novo desafio para a conservação das aves marinhas.

“Embora o vírus já represente um problema há décadas para a avicultura, a linhagem recente (clado 2.3.4.4b) do H5Nx apresenta uma capacidade preocupante de infectar e se espalhar por longas distâncias junto às aves migratórias, inclusive em regiões oceânicas remotas, locais onde os albatrozes e petréis seu reúnem em colônias para reprodução”, afirma.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, dentro do que foi observado no mundo, o vírus da influenza aviária não infecta humanos com facilidade e, quando ocorre, geralmente a transmissão de pessoa a pessoa não é sustentada.

Ações para o futuro

Para frear o efeito das ameaças, é necessário desenvolver ações para conservar o oceano, explica a fundadora e coordenadora geral do Projeto Albatroz, Tatiana Neves. Segundo ela, todas as ações passam, inevitavelmente, pela educação ambiental. "Para além das pesquisas científicas que nos ajudam a entender a dinâmica da pesca, a criação de medidas mitigadoras da captura incidental e as políticas públicas para acabar com esse problema, é preciso que as pessoas conheçam essas aves, se sensibilizem por sua sobrevivência, aprendam como proteger o oceano e como amplificar essas mensagens".

O Projeto Albatroz, desde 1990, faz um trabalho científico focado na educação ambiental dos mais diversos públicos, desde pescadores de frotas industriais e artesanais, até professores, estudantes e comunidades do entorno de áreas pesqueiras, buscando aumentar a sensibilização do público sobre a conservação do oceano.

À medida que cresce a atenção global para a saúde do planeta, do oceano e da biodiversidade, o Dia Mundial do Albatroz busca lembrar da rede interconectada de ameaças que pairam sobre a fauna marinha. “Albatrozes e petréis são viajantes oceânicos que precisam de nossa colaboração para entender suas ameaças e buscar soluções conjuntas para minimizar o risco de extinção. Protegê-los não significa apenas preservar aves magníficas, mas conservar a biodiversidade e os papéis ecológicos dos oceanos do mundo", finaliza Tatiana.

Visite o site do Projeto Albatroz para mais informações sobre as medidas de mitigação para as ameaças conhecidas enfrentadas por albatrozes e petréis: www.projetoalbatroz.org.br.

Sobre o Projeto Albatroz

Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras desde 2006. O Projeto, nascido em Santos (SP), no ano de 1990, é coordenado pelo Instituto Albatroz – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o poder público, instituições de ensino, empresas pesqueiras e pescadores, desenvolvendo pesquisas científicas para subsidiar políticas públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da conservação dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.

Atualmente, o Projeto Albatroz mantém bases de pesquisa em quatro estados brasileiros e, em 2023, inaugurou seu primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha em Cabo Frio (RJ), com exposições, trilhas autoguiadas, ponto para observação de aves e realização de atividades de educação ambiental em uma das regiões com maior ocorrência de albatrozes e petréis da costa brasileira. O Instituto Albatroz, que realiza o Projeto Albatroz, também executa o Programa de Monitoramento de Praias (PMP) em um trecho de 54 km, em diversas praias das cidades de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios, na Região dos Lagos.

O Projeto Albatroz estima que cerca de 300 mil aves marinhas sejam capturadas incidentalmente pela pesca de espinhel todos os anos no mundo, sendo 30 a 40 mil albatrozes e petréis. Para diminuir esse número, a instituição participa ativamente de órgãos e planos nacionais e internacionais como o Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP), Plano Nacional de Conservação de Albatrozes e Petréis (PLANACAP), Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT), entre outros, compartilhando pesquisas e desenvolvendo estratégias de conservação.

Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br