Por: CARLOS ALBERTO PINHO - 08/06/2026 17:47:20

MUATO COMEMORA ANO DE PRÊMIOS, INDICAÇÕES, NOVAS PRODUÇÕES E TEMPORADA NO EXTERIOR

Premiado no Brasil e no exterior, multiartista assina direção musical e trilha sonora de diversos projetos aclamados, como “O Motociclista no Globo da Morte”, se destaca em festivais dentro e fora do país e acaba de conquistar mais premiações para sua já numerosa galeria

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Não é de hoje que Muato vem fazendo história no teatro. Essa trajetória vitoriosa se iniciou praticamente assim que o artista se deu conta de que o palco poderia ser o habitat ideal para o enlace perfeito de seus múltiplos talentos e toda sua capacidade criativa. Desde então, passou a colecionar trabalhos aclamados e, consequentemente, a empilhar premiações.

Ele acaba de conquistar o seu segundo Prêmio Shell, dessa vez na categoria música pelas composições e direção musical da peça “VINTE!”, e o Prêmio APCA, na categoria Programa/Memória/Projeto/Difusão, por “Minas de Ouro – Experiência nº 2 – Performance Monumento”, de Carmen Luz, onde assinou a música original e a trilha sonora. Para completar, foi premiado também no cinema, como melhor ator no filme “Realize seu Sonho Agora”, de Diogo Brandão.

No 34º Festival de Curitiba, Muato teve mais um momento de consagração desembarcando com dois espetáculos em um dos maiores eventos do segmento teatral na América Latina. Além de “VINTE!”, levou o fenômeno “O Motociclista no Globo da Morte”, estrelado por Eduardo Moscovis e dirigido por Rodrigo Portella, que tem a sua grife na trilha sonora.

- Eu penso que o exercício do artista é o de uma atenção máxima à criação, ao detalhe. Sabe aquele detalhe que pode passar como irrelevante? Pra gente, não pode ser. A gente está trabalhando para criar linguagem, uma linguagem que serve ao que a humanidade não dá conta de tocar de outra forma. É esse entendimento que nos impulsiona a ficar horas tecendo um único som – reflete.

As novas premiações se somam a uma galeria que inclui títulos como o Prêmio Shell de Teatro pela direção musical, percussão corporal e trilha original de “Pelada – A Hora da Gaymada” – trabalho com o Complexo Negra Palavra, grupo que Muato integra desde 2019 –, o Prêmio FITA, na categoria música, por “O Admirável Sertão de Zé Ramalho”, com Plínio Profeta, ambos conquistados em 2024, o Prêmio APTR de 2020 pela música da peça “OBORÓ, Masculinidades Negras” e de 2021 com o elenco de “Negra Palavra – Solano Trindade”, e sete estatuetas na edição de 2019 do Awards Deutscher Rock & Pop Preis, na Alemanha. Isso sem falar nas inúmeras indicações, como no sucesso infantil “O Pequeno Herói Preto” e na trilha do elogiado documentário “Rio Negro”. Não à toa recebeu a alcunha nos bastidores de “Quincy Jones do teatro brasileiro”, em alusão ao prestigiado produtor musical, arranjador e compositor estadunidense.

- Está sendo incrível ganhar tantos prêmios! É um reconhecimento que a gente precisa para estar nesse mundo. Só é importante não perder a conexão com o outro mundo, não deixar isso ser condutor, mas aceitar e curtir cada prêmio como consequência
– comemora, porém com os pés no chão.

Conexão Brasil-Angola

De 29 de junho a 12 de julho, Muato representará o Brasil em Angola. Em Luanda, estará com o Complexo Negra Palavra para apresentar o espetáculo “Poesia do Samba - Solano Trindade”, através do edital de mobilidade internacional da FUNARTE. Além disso, ele levará o seu show "DERÊ - Concerto sobre o Pagode". Já em Cazenga, participará do festival FESTECA.

Talento vem de berço... e de CEP

Cria de Vila Isabel, bairro do subúrbio carioca famoso por revelar ícones da nossa cultura, como Noel Rosa, Martinho da Vila e Carlos Dafé, Muato iniciou sua trajetória no estudo da música de concerto, mas foi muito além, se destacando pela sua atuação em diversas frentes e expressões artísticas. E mergulhou de cabeça no teatro. Fundou a Orquestra de Pretxs Novxs, que estreou em 2019 com o espetáculo “Reza”, dirigido por Carmen Luz, realizando as composições, arranjos e direção musical, além de estar em cena como ator. Atuou em produções aclamadas por público e crítica, como “Andança – Beth Carvalho”, “Cartola – O Mundo é um Moinho”, “Rio Mais Brasil – O Nosso Musical”, “Dona Ivone Lara - Um Sorriso Negro” e “Quando a Gente Ama”. Ao longo do tempo, foi consolidando sua marca como compositor, ator, diretor e uma linguagem ímpar caracterizada pela utilização de recursos expressivos, como percussão vocal e corporal e arranjos vocais com sonoridades não convencionais.

Destaque em espetáculos sobre ícones da música

Outra marca da sua jornada teatral é a presença em espetáculos sobre grandes nomes da música no Brasil e no exterior. Estão na lista a superprodução “Ray — Você Não Me Conhece”, que homenageia o icônico artista norte-americano Ray Charles, na qual assina as composições e divide a direção musical com Claudia Elizeu, os musicais “O Admirável Sertão de Zé Ramalho”, quando foi aclamado pela crítica e pelo público atuando no palco – interpretando um jovem Zé Ramalho – e na direção musical (em parceria com Plínio Profeta), e “Djavanear - Um Tanto Flor, Um Tanto Mar”, na direção musical com Alfredo Del-Penho. Em “Chega de Saudade!”, faz a direção musical, ao lado de Felipe Storino, e encena, retomando-se ficcionalmente personagens, biografias e memórias da Bossa Nova no Rio de Janeiro das décadas de 1950 e 1960, em uma versão somente com atrizes e atores negros.

Novos projetos

Muato não para e engata três novos trabalhos. No espetáculo “Os Irmãos Timótheo da Costa”, que retrata a vida e a obra dos irmãos João (1879 – 1932) e Arthur (1882 – 1922) Timótheo da Costa, pintores que se destacaram na cena artística nacional no início do século XX, assina a direção musical e as composições originais, com direção geral de Luiz Antonio Pilar e dramaturgia de Claudia Valli. Em “Nó”, peça de autoria de Gildon Oliveira que se dedica a refletir sobre o amor e o luto a partir da perspectiva de um casal negro de meia-idade, faz a direção musical. Já “O Começo do Fim”, produção estrelada por Isabel Fillardis e Well Aguiar, tem a sua trilha sonora, que se entrelaça à direção de Rubens Camelo, à supervisão de Amir Haddad, ao texto de Denise Crispun e à atuação do casal para abordar os desafios das relações afetivas contemporâneas.

Em paralelo, vive a expectativa de mais uma premiação, o APTR, com o infantil “Solaninho, Uma Viagem com o Poeta do Povo”, que conta de forma lúdica os primeiros passos de Solano Trindade, pioneiro da Literatura Negra no Brasil, onde é responsável pela direção musical e a percussão corporal.

Rede social de Muato: @muatomuato