Por: CHICO VELLOZO - 19/07/2026 07:43:53

NADA MAIS DO QUE SETENTA

Ao completar 68 anos de idade lembro-me que - por várias vezes - declarei que só viveria até os 70.

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Não sei exatamente porque determinei 7 décadas para o término da minha experiência terrena. Talvez tenha sido pelo fato de meu pai ter falecido na semana em que completaria essa idade ou porque havia o mito de que os membros da minha família dela não passavam, ou em função das duas hipóteses, não me recordo.

Na época em que cismei com isso era uma realidade muito distante, entretanto o tempo passou e a proximidade do provável fim me faz pensar que, em função da força das palavras, posso estar realmente sentenciado. Logicamente isso é apenas uma conjectura, pois não encaro a hipótese como um fato consumado. Também não tenho nenhuma intenção de , daqui a 2 anos, dar cabo da minha vida, apenas me vejo disposto a desfrutar de cada instante mais intensamente como se fosse pela última vez. Não é triste, melancólico ou mórbido, é apenas uma motivação extra para celebrar as boas coisas da vida, entendendo que tenho uma data de validade que pode ser de até mais de 100 anos, vai saber?

O que realmente importa pra mim é que tenho pensado nisso. Vejo-me refletindo sobre “as coisas da vida” e acredito estar encontrando a sonhada paz interior. Logicamente preciso melhorar muito nesse sentido, principalmente no aprimoramento da capacidade de aceitar as coisas como elas são. Isso é muito difícil, mas tenho me esforçado muito para alcançar sabedoria suficiente para lidar com a dura realidade.

Estamos em contagem regressiva desde o dia em que nascemos e encaro com muita naturalidade o fato de que a cada ano que passa estarmos mais próximos do fim. A expectativa criada para minha passagem está gerando um sentimento intenso de apego aos mínimos detalhes. Agradeço a beleza das manhãs - com o “sol desvirginando a madrugada” -, sou grato também pelo entardecer no qual cada pôr do sol é único e até passei a gostar do anoitecer. Sou uma pessoa solar com uma preferência evidente pelo dia, verdadeiramente nada notívago. mas a noite também possui seus encantos, como em quase tudo na vida. Sigo em frente tendo como lema um trecho de uma das músicas do poeta Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz!”