Por: VIVIANN BARCELOS - 19/10/2026 17:10:27
Com participação de cerca de 40 pessoas em oito veículos, iniciativa coordenada pela Superintendência de Acolhimento Oncológico promoveu lazer, integração e fortalecimento da rede de apoio
“Eu estou aqui.” Aos 75 anos e com 40 anos de sobrevida após um câncer, Nilzete de Oliveira transformou a própria história em uma mensagem de incentivo durante o “Passeio de Bugre: Criando Boas Lembranças”, realizado nesta segunda-feira (19), em Cabo Frio. Pela primeira vez, ela embarcou em um veículo do tipo e aproveitou a experiência ao lado de pacientes oncológicos, pessoas em remissão e familiares de quem enfrenta a doença.
A iniciativa integra o movimento Cabo Frio Celebra Rosa e foi coordenada pela Superintendência de Acolhimento Oncológico, vinculada à Secretaria Municipal da Família e Juventude. Ao todo, cerca de 40 pessoas participaram da atividade, distribuídas em oito bugres, em uma programação voltada ao lazer, à convivência e ao fortalecimento da rede de apoio.
“Com 40 anos de sobrevida, tenho muito o que falar para essas pessoas: para que não desistam dos tratamentos, não deixem de ter alegria no coração e consigam externar essa alegria”, afirmou. Ao falar sobre sua condição atual, completou: “Hoje eu estou firme e forte, maravilhosa”.
O passeio contou com a parceria da Associação de Bugueiros de Cabo Frio, além do apoio do projeto “Um dia de cada vez” e “Amigas da Mama”. Para o presidente da entidade, Silvio Ronney, a participação na ação representa o compromisso social dos profissionais com a cidade e com pessoas que enfrentam momentos delicados de saúde.
“Todos nós temos alguém que já passou ou está passando por uma situação de câncer ou por uma doença semelhante. Isso nos sensibiliza, porque conseguimos sentir um pouco dessa dor e, ao mesmo tempo, queremos proporcionar alegria para ajudar a amenizá-la”, disse.
Neste ano, o roteiro foi planejado para proporcionar um passeio mais tranquilo, considerando as necessidades de algumas pacientes. O percurso incluiu pontos turísticos, como o Forte São Mateus e o Centro Histórico, além de trechos da orla, antes do retorno à sede da associação.
Acolhimento e fortalecimento da rede de apoio
A superintendente de Políticas Públicas para Paciente Oncológico, Luísa Maria de Oliveira Silva, ressaltou que ações de convivência e lazer complementam o trabalho de acolhimento desenvolvido com pacientes e familiares. A proposta é contribuir para a autoestima, ampliar os vínculos e oferecer momentos de descontração durante uma jornada que pode envolver desafios físicos e emocionais.
“Quando criamos um momento como esse, combatemos diretamente o estresse e a tristeza. O tratamento oncológico pode trazer efeitos físicos e emocionais que afetam a disposição, a autoestima e a vontade de viver. Por isso, criamos momentos de alegria para ajudar essas mulheres a enfrentar os sentimentos que as colocam para baixo”, explicou.
O trabalho da Superintendência também envolve a articulação com grupos de apoio e serviços públicos para orientar pacientes e encaminhar demandas relacionadas ao atendimento. Segundo Luísa, desde março de 2026, mais de 200 pacientes foram acolhidos e tiveram suas necessidades encaminhadas pela equipe.
A atuação inclui o apoio a quem enfrenta dificuldades para realizar exames ou dar continuidade ao tratamento, em articulação com a Secretaria Municipal de Saúde. O acolhimento também é importante após o encerramento das etapas mais intensas da terapia, quando o acompanhamento emocional e a reabilitação contribuem para a retomada da rotina e da qualidade de vida.
Como ter o acolhimento
Quem recebeu recentemente o diagnóstico de câncer ou tem um familiar nessa situação pode procurar a Superintendência de Acolhimento Oncológico, localizada no Largo Santo Antônio, nº 131, no Itajuru, ou pelos telefones (22) 99620-0284 e (22) 99911-1424.