Por: DEBORAH GOI - 23/09/2026 15:48:55
Restaurante do Porto da Barra amadureceu sua proposta ao acompanhar mudanças do mercado e do comportamento de moradores e turistas
Ao completar dez anos no Porto da Barra, em Manguinhos, o Casablanca reúne em sua trajetória diferentes momentos da gastronomia. Depois de uma breve experiência como café à beira-mar, a casa ganhou força como steakhouse, fase em que as carnes assumiram o protagonismo do cardápio. Mais recentemente, passou por um novo reposicionamento até encontrar na gastronomia contemporânea a expressão que mantém atualmente.
A longevidade ganha relevância em um ambiente empresarial no qual muitos negócios não avançam além dos primeiros anos. Segundo a pesquisa Demografia das Empresas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,3% das empresas empregadoras criadas no Brasil em 2017 permaneciam em atividade cinco anos depois. Em um destino turístico marcado pela sazonalidade e pela renovação constante da oferta gastronômica, atravessar uma década representa um marco ainda mais significativo.
Inaugurado em 2016, o Casablanca começou como um café à beira-mar, com pães artesanais, cafés especiais, brunch e lanches. A proposta permaneceu por pouco tempo, mas serviu como ponto de partida para a leitura do comportamento dos frequentadores. O espaço convidava à permanência, e os clientes demonstravam interesse em almoçar, brindar, compartilhar a mesa e aproveitar por mais tempo a vista para a Baía de Manguinhos.
Essa percepção levou à ampliação da operação e à transformação do café em restaurante. Posteriormente, o Casablanca assumiu o posicionamento de steakhouse, etapa importante de sua trajetória e anterior à proposta atual. Durante esse período, as carnes ganharam destaque, e cortes como o Tomahawk e o assado de tira tornaram-se carros-chefes da casa e estiveram entre os preferidos dos apreciadores de carne.
A fase ajudou a consolidar o Casablanca como um endereço frequentado por moradores e turistas. Mais do que uma mudança no cardápio, representou o amadurecimento da operação e a construção de uma identidade ligada à experiência de permanecer à mesa, compartilhar pratos e contemplar o pôr do sol de Manguinhos.
Com o passar dos anos, novas mudanças no mercado e no comportamento do público levaram a casa a rever novamente sua proposta. Ingredientes, técnicas e combinações foram incorporados à cozinha, ampliando a variedade do cardápio e conduzindo o Casablanca à gastronomia contemporânea.
A trajetória revela uma característica das empresas consolidadas: a capacidade de reconhecer transformações, ajustar seu posicionamento e evoluir sem abandonar os elementos que estabeleceram uma relação com o público. No caso do Casablanca, cada fase contribuiu para a construção da proposta atual.
Alguns clássicos atravessaram essas transformações e permaneceram no cardápio. O pastel de camarão e a picanha tradicional continuam entre os pedidos recorrentes dos clientes. Na carta de bebidas, o Tranki Panki também se consolidou como um drinque associado à experiência da casa.
A permanência desses sabores mostra como o restaurante buscou equilibrar renovação e memória afetiva. Enquanto novas técnicas e criações passaram a integrar o menu, pratos reconhecidos pelo público continuaram representando a história construída ao longo da década.
Outro elemento preservado foi a relação com o lugar. Inspirado na atmosfera cinematográfica do clássico “Casablanca”, o restaurante combina gastronomia, ambiente e a vista de tirar o folego. A vontade de criar um espaço no qual as pessoas desejassem permanecer esteve presente desde o início e continuou orientando as diferentes fases da casa.
“Completar dez anos é olhar para trás e perceber quantas histórias cabem dentro de uma casa. O Casablanca mudou muito ao longo desse tempo, mas algumas coisas permaneceram: as pessoas, os encontros e a vontade de fazer cada experiência valer a pena”, afirma Bárbara Arouca, sócia-proprietária do restaurante.
Para marcar a primeira década, o Casablanca realizará uma celebração reservada a convidados, parceiros e pessoas ligadas à sua história. O encontro contará com a participação do chef João Yoshida, do restaurante Nami.
Ao chegar aos dez anos, o Casablanca celebra não apenas a proposta que apresenta hoje, mas também as transformações que permitiram sua permanência no mercado. De uma breve passagem como café à consolidação como steakhouse e, posteriormente, à gastronomia contemporânea, a história da casa mostra que amadurecer não significa permanecer igual, mas compreender o que deve ser transformado e o que merece ser preservado.
Sobre o Casablanca
Localizado no Porto da Barra, em Manguinhos, Búzios, o Casablanca é administrado pelo Grupo BZ e combina gastronomia contemporânea, ambiente inspirado no clássico do cinema e astral buziano. Frequentado por moradores e turistas, o restaurante completa dez anos em 2026, com um cardápio que reúne criações atuais e sabores que atravessaram as diferentes fases de sua trajetória.
Instagram: https://www.instagram.com/casablancabuzios/