Por: CHICO VELLOZO - 12/07/2026 08:51:06

UMA CONVERSA COM O TEMPO

A genialidade do artista cria diálogo improvável!

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Segundo a saudosa cantora Nana Caymmi, “Resposta ao Tempo” foi composta sob demanda para a gravação de um álbum que acabou levando o nome da canção. Resposta ao Tempo, gravado em 1998, foi um sucesso e garantiu o primeiro Disco de Ouro da carreira de Nana. A música foi escolhida como tema da famosa mini série Hilda Furacão, uma obra que obteve o status de campeã de audiência na Globo.

Composta ao violão por Cristovão Bastos, a melodia foi apresentada a cantora e encaminhada ao poeta Aldyr Blanc para que ele colocasse a letra. Diante da demora, Nana pressionou tanto o compositor que – segundo ela – inspirado pela situação, criou essa canção memorável que tem como mote o tempo.

Quem lê meus textos, sabe do apreço que tenho por letras de músicas. Gosto muito de praticar “interpretação de texto” buscando o entendimento das mensagens contidas em cada canção.

Em Resposta ao Tempo, primeiramente fiquei impressionado com a beleza da composição. Não era pra menos. A parceria de Aldyr com o pianista e arranjador Cristovão Bastos resultou em um clássico da MPB. Outro aspecto marcante dessa verdadeira obra-prima é o diálogo surreal com o tempo.

Com quase 70 anos, sei muito bem ‘’QUEM” é o tempo, afinal convivo com ele há aproximadamente 7 décadas. Seguindo em frente impassível, frio e determinante para nossa existência, o tempo passa e as coisas vão acontecendo. Ele nunca para, não se envolve com nada e, principalmente, em hipótese nenhuma volta atrás.

Gosto muito da versão gravada por Aldyr Blanc tendo Cristovão Bastos ao piano
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RESPOSTA AO TEMPO

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter
Argumento

Mas fico sem jeito, calado, ele ri
E ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo

Recordo um amor que perdi
Ele ri, diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar, eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender

Como eu morro de amor
Pra tentar reviver
No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto

E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver

No fundo, é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso e ele não vai poder
Me esquecer