Por: CARLOS CARESTIATO - 06/07/2026 05:47:40
Lendo uma reportagem na revista veja sobre a força das palavras em tempos incertos, vi claramente que essa reportagem vem bem a calhar para nossos dias.
Em 1939, às vésperas de uma guerra devastadora, a Inglaterra criou uma frase para acalmar os corações de sua população: “Keep Calm and Carry On” — fique calmo e siga em frente. Uma frase que não precisou ser usada. Era um abraço em forma de palavras para um povo que não sabia o que aconteceria no dia seguinte. Décadas depois, esse mesmo apelo por paz de espírito ressoa profundamente em nós, brasileiros, que enfrentamos uma batalha invisível, mas igualmente dolorosa: os recordes de depressão e síndrome do pânico que assolam o nosso país.
Viver com pânico ou depressão é sentir que o mundo está desabando enquanto todo mundo caminha normalmente ao redor. O pânico rouba o ar do presente; a depressão apaga as cores do futuro.
Nessas horas, a célebre frase britânica ganha um novo significado. Ela não nos pede para fingir que está tudo bem ou engolir o choro. Pelo contrário, “ficar calmo” é um convite para acolher a própria vulnerabilidade, colocar a mão no peito e lembrar que você ainda está aqui, respirando.
E o “siga em frente”? Esse passo não precisa ser gigante. Para quem enfrenta a ansiedade extrema, seguir em frente pode ser apenas levantar da cama, aceitar um dia ruim ou ter a coragem de pedir ajuda. O otimismo de verdade não ignora a dor, mas acredita, bem lá no fundo, que ela é passageira.
A sua mente pode ser um lugar barulhento agora, mas nenhuma tempestade dura para sempre. Respeite o seu ritmo, celebre as pequenas vitórias cotidianas e lembre-se de que, mesmo nos dias mais cinzentos, você é muito mais forte do que a sua ansiedade diz.