Por: RENAN DIAS FOLLY - 01/03/2026 07:29:16

A CACHAÇA MERECE RESPEITO!

Um amigo comentou sobre um samba que enaltecia a cachaça. Ele me enviou a letra e, baseado em nossa conversa, desenvolvi este texto.

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Conversávamos sobre a carência no tocante a divulgação positiva de um dos principais patrimônios culturais do Brasil. Infelizmente a cachaça não ocupa lugar honroso no imaginário das pessoas. Associada a infortúnios, a bebida conta com uma associação nefasta ao vício e a degradação social, sendo o termo atribuído ao consumidor do famoso destilado nacional utilizado de maneira bem pejorativa.

Chamar uma pessoa de “cachaceira” é considerado um tratamento ofensivo, desmerecendo radicalmente a preferência dela por uma bebida excepcional repleta de cultura e tradições. Não quero fazer apologia ao alcoolismo, mas apenas viso um tratamento respeitoso ao rico universo da cultura cachaceira.

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, em 1977, desfilou ao som de um samba enredo que tratava a cachaça como um grande destaque na vida das pessoas. Nesse samba, a bebida é apresentada como um excelente aperitivo e ótima opção para várias harmonizações envolvendo as principais receitas da culinária nacional, é até para acompanhar “comida de santo”. Realmente, a cachaça é surpreendente.


DO CAUIM AO EFÓ, COM MOÇA BRANCA, BRANQUINHA


A moça branca é amiga
Não há quem diga que não tem valor
Só por ser tão boa
Vive assim à toa, sem querer se impor
Ela dá coragem, dá vantagem
Dá inspiração
E não admite
Falta de apetite numa refeição
(No Salgueiro tem)
Tem gente que bebe pra esquecer
Tem gente que sabe beber e comer
Churrasco no sul
Buchada no norte
Tutu à mineira
Com pinga da forte
Comendo efó
Jerimum com jabá
Feijoada, peixada
Ou o bom vatapá
Tem que ter cachaça
Ela não pode faltar
E depois quindim
E doce de leite com amendoim
(A moça branca)