Por: CHRIS COELHO - 06/10/2025 17:20:13

DIA DA CRIANÇAS: DICAS DE LIVROS PARA PRESENTEAR

Diversão, entretenimento, aprendizagem, inteligência emocional: esses são apenas alguns dos benefícios da leitura para os pequenos

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A literatura infantil deixou de ser apenas um passaporte para o mundo fantástico dos contos de fada. Cada vez mais, autores e editoras se esmeram na criação e publicação de enredos que possam estimular a criatividade, a função cognitiva, a resolução de impasses e questões mais presentes no cotidiano do pequeno leitor, como separação dos pais, morte em família e tantos outros ritos de passagem pertinentes ao processo de crescimento.

Pensando nisso, a Sala de Leitura e Livraria Tangolomango, em Nova Friburgo, criou uma lista com o intuito de nortear pais, avós e familiares na escolha dos melhores títulos.

Para a primeira infância


De 0 a 3 anos, a coleção “Dentro e Fora” inicia a criança no aprendizado das cores, a partir de páginas que divertem e educam.

“Meu Primeiro Livro de Encaixe” contém 12 peças de formas variadas para encaixar no livro. É forma lúdica de introduzir as crianças pequenas na aprendizagem precoce das primeiras palavras. (0 a 3 anos)

Dos 3 aos 6 anos


A partir dos 3 anos, já se pode avançar para histórias de estrutura relativamente simples, mas que já introduzem o pequeno leitor no universo das narrativas mais sofisticadas. “Os Três Porquinhos”, “João e Maria” e “Chapeuzinho Vermelho” são muitas das opções do infindável acervo dos contos tradicionais.

Responsável pela Tangolomango Sala de Leitura e Livraria, o arte-educador e contador de história Laerte Vargas explica que a criança deve ser estimulada a reconhecer os personagens e ser desafiada a recontar a história com a ajuda do adulto para que essa assimilação resulte no entendimento da espinha dorsal de um conto com início, meio e fim.

“Uma história muito positiva para a transição da casa para a creche é “João e Maria” por tratar de um tema que, em uma linguagem simbólica, reflete esse rito de passagem. Afinal, a criança é criada no ambiente familiar, com segurança e cercada de pessoas que reconhece e, certo dia, a mãe a toma pela mão e a ‘abandona em uma floresta escura’. Sabemos que todos os processos de adaptação são devidamente respeitados nas instituições, mas, lá no fundo, existe um forte sentimento de abandono que o conto ajuda a amenizar. Prova disso, é que, no desfecho do conto, os pequenos vencem ‘a bruxa malvada’”
, recomenda Laerte Vargas.

Dos 6 aos 9 anos

Chegando aos 6 anos e já com uma boa bagagem de conhecimento das histórias tradicionais, o pequeno leitor pode ser estimulado a recriar os enredos e brincar com os personagens, principalmente os vilões que, por mais que os pais não reconheçam, exercem um grande fascínio à imaginação infantil.

Para Laerte Vargas, uma boa pedida é “O Mal do Lobo Mau”. “Contada em versos, essa história traz um Lobo Mau em uma situação diferente: ele está em apuros e uma ovelha pode salvá-lo. Mas como será que o lobo vai se comportar no hospital? Esse livro escrito por Claudio Fragata e ilustrado por Heitor Neto mostra que tudo tem dois lados: as pessoas, os sentimentos, os vilões e os mocinhos. Uma narrativa sensível e engraçada para você ler, reler, comentar e se divertir”, descreve ele.

Laerte Vargas lembra ainda que não se pode deixar de lado as obras de diversos autores consagrados da literatura infantil brasileira. “O mais importante deles, sem dúvida, é o escritor Monteiro Lobato que criou e recontou clássicos mundiais, tais como: Caçadas de Pedrinho, Histórias de Tia Anastácia, os Contos de Grimm, enfim, deixou um rico legado para a nossa cultura. Grandes mestres se firmaram nesse segmento a partir da icônica Revista Recreio, nos anos 60: Ruth Rocha, Syvia Orthof, Joel Rufino e muitos outros”, enumera Laerte Vargas.

Livros para Adolescentes

É preciso que, na entrada da adolescência, o jovem seja estimulado a avançar na sua viagem rumo ao mundo a leitura. Muitas vezes, os pais estimulam o prazer de um bom livro, mas, a partir de um certo momento, delegam à escola essa função e não alimentam uma ambiência propícia em família.

“É necessário que, em casa, exista um bom acervo e os livros estejam espalhados convidando à leitura. Muitas vezes, os adultos demonizam o uso desenfreado da internet, mas eles próprios não leem e vivem navegando em suas redes sociais. A leitura compartilhada pode ser um caminho agregador e eficiente. Ler o trecho de um livro, comentar uma notícia em um jornal ou revista, todos de papel, é claro, é um dos caminhos na sedução dos filhos para a leitura”, recomenda Laerte Vargas.

As editoras se esmeram em trazer para as prateleiras livros atraentes para a faixa etária a partir dos 10 anos. Os clássicos em quadrinhos se mostram como um aperitivo como portal de entrada para as obras clássicas universais. Sem a intenção de substituírem a leitura dos grandes títulos, servem como elemento instigador para os mesmos.

Harry Potter deixou um legado de livros seriados ao qual os jovens continuam fiéis.
Entre os meninos, a “Agência de Detetives Marco e Maia” tem como personagens centrais jovens detetives que trabalham desvendando os casos misteriosos da pequena cidade de Valleby.

“Zuzu”, do escritor e jornalista David Massena, narra a luta da mãe que teve seu filho morto pela repressão militar. Mais que tudo, é a história real de uma mãe que não se calou aos crimes da ditadura. Contada em versos, o autor transforma em fábula um enredo que denuncia torturas sem, no entanto, tornar a leitura uma experiência difícil.

Entre as meninas, “Angelina Purpurina” tem lugar cativo nas cabeceiras. Numa casa com dois irmãos mais velhos, a personagem precisa de muita estratégia e bom humor para conseguir escapar da zoação deles. As aventuras de Angelina Purpurina sempre trazem histórias engraçadas, de uma protagonista simpática que sabe como lidar com os irmãos mais velhos.

“A árvore que fugiu do quintal” foi a pioneira em tratar de questões ligadas à preservação ambiental e à poluição nas grandes cidades. O conto original foi escrito por Álvaro Ottoni de Menezes e publicado em 2007. Conta a saga de uma árvore que para não ser cortada arranca as suas raízes da terra e foge à procura de um lugar para viver em harmonia. Em sua trajetória, ela se depara com um mundo cada vez mais feio, cheio de cimento, sem florestas, animais, crianças sem quintais, sem vida.

Paralelo à disponibilização de bons títulos, um outro recurso que soma pontos na promoção da leitura é tornar a livraria física uma das paradas nos roteiros dos passeios em família. “Pegar na mão, folhear e sentir o cheiro dão outra dimensão ao livro. Na Tangolomango Sala de Leitura e Livraria, o pequeno e o jovem leitores encontrarão muita inspiração para aquisição de títulos e os pais, avós, tios, padrinhos que queiram presentear os pequenos com livros nesse Dia das Crianças podem contar com a curadoria e a ajuda na escolha dos títulos da Tangolomango”, finaliza Laerte Vargas.