Por: AYRTON DIAS

27/11/2021

12:28:49

ECOTURISMO E TURISMO DE AVENTURA - HARMONIA E PRAZER

ECOTURISMO E TURISMO DE AVENTURA - HARMONIA E PRAZER
O ecoturismo, ou turismo ecológico, por definição, é um segmento em que o turista conhece e explora a natureza de maneira consciente, contemplando-a ou praticando atividades de lazer, esportivas ou educacionais preservando os patrimônios naturais e culturais do local visitado. - Travessia Petrópolis -Teresópolis, uma das mais belas travessias do Brasil. Foto: Êxito Rio

 O “Acordo do Monhok” (evento internacional realizado em New Paltz, EUA, na Monhok Montain House em 2000), definiu o ecoturismo como sendo o “turismo sustentável em áreas naturais, que beneficia o meio ambiente e as comunidades visitadas e que promove o aprendizado, respeito e consciência sobre aspectos ambientais e culturais.” Além disso, o acordo definiu os princípios do ecoturismo e padrões a serem respeitados voluntariamente pelas empresas do ramo turístico. 

A “Declaração de Ecoturismo de Quebec”, aprovada em 10 de junho de 2002 pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP) e pela Organização Mundial do Turismo (OMT), oficializou o ano de 2002 como o “Ano Internacional do Turismo”, como reconhecimento de todos os países participantes, inclusive o Brasil, da importância do ecoturismo como atividade econômica e de preservação do patrimônio ambiental e cultural. O ecoturismo difere do chamado “turismo de massa”, pois no ecoturismo o fluxo turístico pode até mesmo ser limitado com o intuito de evitar ou minimizar os impactos sobre o ecossistema do local visitado, estabelecendo-se um ordenamento na utilização do atrativo. Algumas atividades consideradas ecoturismo: tirolesa, cavalgada, trekking, snorkeling e flutuação, boia-cross, observação de aves, cicloturismo e observação de fauna e flora.


TURISMO DE AVENTURA

O turista que procura atividades que envolvem desafios e obstáculos, liberdade, prazer, superação...e muita adrenalina em contato com a natureza é adepto do Turismo de Aventura. Esse segmento tem caráter recreativo, e é bom não confundir com turismo esportivo. Alguns exemplos:  escalada, slackline, rapel, rafting e canoagem, surf... esporte de aventura é toda atividade que acontece em contato com a natureza — também sintonizada com o ecoturismo ou o turismo de aventura — sob condições calculadas, ou seja, o nível de dificuldade é menor. Já o esporte radical pode ser praticado tanto nos meios urbanos quanto rurais, dentro de ginásios, pistas, praias artificiais ou out side, com manobras mais complexas e arrojadas e um detalhe que faz total diferença: maior intensidade.

 

SUSTENTABILIDADE

Por mais utópico que seja, o ideal seria que toda atividade econômica incorporasse o conceito de sustentabilidade. Entretanto, as atividades relacionadas a natureza devem atender ao viés financeiro, o respeito a questão social e a preservação ambiental, pois o uso desordenado de um atrativo natural pode decretar o seu fim. 

A falta de bom senso pode ser extremamente perniciosa para a manutenção do encantamento de um determina destino turístico. Questões relacionadas a capacidade de carga, limpeza, segurança e infraestrutura são essenciais, e devem ser observadas tanto pelo poder público, como por instituições em geral e pela própria sociedade civil organizada. 

“O turismo sustentável atende às necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro.” - Organização Mundial do Turismo (OMT).

 

UM BELO EXEMPLO

A Observação de Aves (Birdwatching) cria uma harmoniosa relação com o meio ambiente estimulando uma sutil interação com o local visitado. O observador de aves (Birdwatcher) deve ser parte integrante e não um invasor, caminhando sempre em silêncio e sendo paciente, pois qualquer tipo de agitação pode espantar as aves. Um birdwatcher - seja no espaço urbano ou rural - mantém-se sempre atento na busca por um lifer ou um ângulo novo de uma espécie já clicada. As vezes passa muito tempo tentando um registro que, quando ocorre, é uma verdadeira façanha. Isso faz com que a observação de aves gere também muita adrenalina! 

Para conseguir a foto de uma espécie rara o praticante é capaz de viajar pelo mundo, esperar horas em silêncio, vestir roupas camufladas, aprender a imitar o canto dos pássaros, combater caçadores e ainda contestar as normas burocráticas dos parques. Além de serem os maiores divulgadores das riquezas naturais, os birdwatcher tornaram-se aliados importantes de biólogos e pesquisadores. 

Mesmo sem nenhuma formação científica ou acadêmica, seus registros documentam aquilo que muito poucos viram e, em alguns casos, o que ninguém jamais teve a oportunidade de ver. O mais interessante é que sua motivação só aumenta com o acúmulo de conhecimento e, principalmente, com a idade!


A famosa Saudade-de-Asa-Cinza (Tijuca Condita) - espécie endêmica de Nova Friburgo, atrai observadores de aves de vários países. Foto: Ana Gadini

Por estar constantemente aprimorando os sentidos e aperfeiçoando a percepção de sons, cores e padrões da natureza, o birdwatcher  é extremamente atento ao meio que o cerca - seja a olho nu, com o uso de binóculos ou com a utilização de máquinas fotográficas. Muito tradicional na Europa e nos EUA, a observação de aves conta com um número significativo de adeptos. 

No Brasil, várias empresas de produtos e serviços já dão suporte a esse público que transformou a atividade em um novo filão do ecoturismo. A observação de aves movimenta desde meios de hospedagem, guias especializados e lojas de produtos indispensáveis a sua prática como binóculos, máquinas fotográficas e vestuário, a um mercado editorial repleto de publicações voltadas para o tema.

A observação de aves é um ótimo caminho para a preservação ambiental. Os birdwatchers são pessoas extremamente sensíveis a manutenção da vida e atuam constantemente nesse sentido, contribuindo não só para a ciência como também para a sociedade com seu belo exemplo de sustentabilidade. 

Atualmente, a observação de aves contempla o viés econômico- através de uma modalidade de turismo de baixíssimo impacto, contribui para a educação social e, principalmente, para que o meio ambiente tenha um futuro melhor, pois para eles o que realmente importa é encontrar com esses pequenos animais livres, felizes e cantando para, apenas, registrar esses belos momentos!

 

NITERÓI INVESTINDO NA INCLUSÃO

Segundo Stephanie Maia, atual presidente do Clube Niteroiense de Montanhismo, percebe-se um aumento no número de pessoas interessadas em participar de atividades ao ar livre e também nos cursos básicos de escalada (CBE) e de montanhismo (CBM) e a prefeitura de Niterói, por meio  Neltur, vem oferecendo passeios guiados por profissionais inscritos no Cadastur à população e à turistas na cidade. 


Stephanie Maia

O EcoTur Sem Barreiras, realizado duas vezes por mês, inclui também parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, a Secretaria de Acessibilidade e o CNM. “Nossa participação consiste em fazer a condução de uma pessoa com deficiência em uma cadeira adaptada para trilhas, pois das 10 vagas oferecidas pelo projeto em cada dia de passeio, uma é destinada a pessoa com deficiência. Desde o início do projeto, no mês de maio, vínhamos trabalhando de maneira voluntária, mas no final de setembro, assinamos um contrato de prestação de serviços com a Neltur.  O que representa um incentivo para continuarmos a realizar esse trabalho. O CNM foi pioneiro na implantação desse projeto aqui em Niterói. Adquirimos a cadeira adaptada em 2017, num grande esforço coletivo dos nossos sócios, e começamos a levar voluntariamente pessoas com deficiência nas trilhas da cidade. Ficamos felizes que essa inciativa tenha sido adotada pelo poder público e acreditamos que essa parceria é promissora tanto para a inclusão de pessoas com deficiência como também para reforçar a importância que o CNM tem para a cidade”  - afirma Stephanie.


 EcoTur Sem Barreiras - Foto: Stephanie Maia


MUTIRÕES EM NOVA FRIBURGO

Infelizmente os atrativos naturais precisam de um urgente ordenamento, já que a utilização desregrada está resultando na degradação das nossas belezas cênicas. A gestão do turismo municipal carece de infraestrutura, campanhas educativas, fiscalização e punição exemplar para aqueles que insistem no uso predatório. A inconsequência de alguns gera desdobramentos que ocasionam prejuízos incalculáveis.


Juninho - Foto: Êxito Rio

Para tratar do assunto entrevistaremos o experiente Guia de Turismo Paulo Braga Júnior:

Existe um projeto de lei já aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que torna a prática do montanhismo Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.  Podemos considerar um avanço, mas qual é o atual cenário para a prática de atividades turísticas relacionadas ao montanhismo em nossa cidade?

- Não é o ideal, precisamos ordenar o acesso aos atrativos. É importante que haja um controle de fluxo para que nossas montanhas continuem belas e atraentes para turistas e visitantes. A capacidade de carga e a manutenção da limpeza devem ter atenção especial. As montanhas devem ser frequentadas por pessoas que tenham o real entendimento da palavra sustentabilidade.

Existe algum estímulo governamental a prática do turismo ligado a natureza?

- Infelizmente ainda não ocorreram, até o presente momento, ações para estruturar esse tipo de turismo. É preciso haver um controle de acesso, limitando o número de pessoas por grupo e uma fiscalização para que não haja uma utilização predatória. Somos privilegiados por poder contar com uma região dotada de natureza deslumbrante. É fundamental que ela seja preservada!

Gostaria de sugerir algumas ações para que haja o ordenamento do uso dos atrativos?

- Sim, um controle maior por parte do poder público em relação ao uso predatório, não só das montanhas, como também das nossas cachoeiras. Há um grande desgaste das trilhas de acesso e também dos próprios locais em si. Tudo em função de um turismo desregrado. É fundamental o ordenamento do uso, pois a degradação pode fazer com que esses importantes atrativos naturais percam sua pujança. Locais feios e poluídos não são atraentes para o público amante da natureza.

Os montanhistas friburguenses têm promovidos mutirões de limpeza. Onde são encontrados os maiores sinais de degradação em nossas montanhas?

- O Centro Excursionista Friburguense (CEF) já, tradicionalmente, adota uma política de preservação com a realização de limpeza dos cumes e até de campanhas educativas. Infelizmente, na atualidade, não está sendo possível o acesso as escolas para estimular o montanhismo e a conscientização em relação as boas práticas de utilização dos recursos naturais.


O Centro Excursionista Friburguense (CEF) presta relevantes serviços a causa da preservação ambiental

Os mutirões ocorrem com frequência, mas estamos observamos que a facilitação de acesso - com a colocação de cordas, correntes e demais acessórios - está contribuindo para acelerar a degradação de locais como a Pedra da Posse (Focinho de Porco) e Chapéu da Bruxa na Região do Caledônia e os Picos Menor e Médio na Região de Salinas, por exemplo.

Durante a pandemia as pessoas estão frequentando mais os ambientes naturais e percebe-se claramente uma movimentação maior nos cumes, rios e cachoeiras. No Circuito Caledônia é comum encontrar mais de 300 banhistas em um pequeno poço de rio.

Alguma mensagem?

Gostaria que o guiamento fosse realizado de maneira profissional e consciente. Aspectos como segurança e preservação devem ser considerados sempre.  Não cabe amadorismo, pois a responsabilidade é enorme. Nova Friburgo deve ser, realmente, a meca do montanhismo e é preciso trabalhar muito nesse sentido!

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