Por: AYRTON DIAS

17/11/2021

10:22:07

OURO VERDE EM NOVA FRIBURGO

O lúpulo pode revolucionar a agricultura friburguense
OURO VERDE EM NOVA FRIBURGO
O mercado mundial do lúpulo movimenta cerca US$ 1 bilhão e o Brasil, apesar de ocupar a terceira posição na produção cervejeira, não tem uma participação minimamente expressiva no cultivo dessa valiosa planta. Algumas iniciativas como a do Grupo Petrópolis já são dignas de registro. Segundo Diego Gomes, mestre-cervejeiro e diretor industrial desse Grupo a companhia vem buscando desenvolver o cultivo da planta visando seu aproveitamento não só no mercado cervejeiro, como também em um cenário de múltiplos usos, como nas áreas gastronômica e farmacêutica. ”Quando a gente nacionaliza ou está próximo de uma cultura como a do lúpulo, temos uma curva de aprendizagem que é muito superior à geração de valor e à capilaridade econômica que pode ter por trás disso. A gente passa a ser dominador de algo que tradicionalmente não aprendemos durante muito tempo. Existe, assim, um oceano tão grande e rico que quando pensamos no futuro, parte disso é, sim, um universo de variedades de cervejas e de aplicações do lúpulo.”, destaca Diego.

Em Nova Friburgo, através do Projeto de Fomento à Cultura do Lúpulo: do Plantio à Comercialização, a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (ACIANF) vem atuando na viabilização da produção local desse insumo fundamental à produção cervejeira. Segundo o consultor agrícola da Acianf Gabriel Braga Violento, o município vem gerando um ambiente muito propício ao desenvolvimento do lúpulo.  Para ele, o “terroir” friburguense pode contribuir para o surgimento de uma nova espécie com características muito próprias. Doutorando em agrobiologia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Gabriel tem como foco essa possibilidade: “Considerando que estamos oficialmente certificados pelo Ministério da Agricultura para o plantio e comercialização, e contando com importantes parcerias - não só no âmbito institucional como também área da produção, - vamos obter uma expertise fundamental para o desenvolvimento de uma espécie própria, o que pode garantir as cervejas friburguenses um sabor único e muito especial!”


Gabriel Violento

Para saber ainda mais sobre o assunto, conversamos com o engenheiro agrônomo Alexandre Jacintho Teixeira , Gerente Técnico Regional Serrano da Emater - Rio, Vice-Presidente de Agronegócios da Acianf e coordenador do projeto. 

Alexandre Jacintho

Em que consiste o Projeto de Fomento à Cultura do Lúpulo: do Plantio à Comercialização?

- O Projeto Lúpulo capitaneado pela Acianf consiste na produção experimental de mudas de lúpulo pelo Viveiro Paulo Cordeiro, a partir de matrizes estabelecidas no distrito de Amparo há aproximadamente quatro anos, e disponibilização consignada às pessoas interessadas, para que estas desenvolvam o cultivo, aprendam a manejar tecnicamente a cultura, façam a colheita e destinem parte desta ao pagamento das mudas, após o processo de pós-colheita (secagem) também apoiado pela Acianf. O lúpulo colhido e desidratado, em parte ou totalmente, pode ser destinado à comercialização para produtores de cervejas caseiras ou artesanais ou utilizado na fábrica própria. Com isso, o lúpulo está sendo difundido no município e despertando o interesse na produção de cervejas com lúpulo local, com estilo próprio, safradas ou sazonais.

Qual a finalidade da Rede Lúpulo?

- A finalidade principal da Rede Lúpulo é congregar instituições de pesquisa e ensino, assistência técnica, extensão rural, viveiristas, representantes de polos cervejeiros, produtores rurais e demais setores envolvidos com a produção de lúpulo e cervejas artesanais, visando o fortalecimento dos diversos setores envolvidos, o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva e a proposição de políticas públicas que estimulem e apoiem todos os processos desde a produção das mudas até a agregação de valor às cervejas artesanais no turismo e na gastronomia.

Nova Friburgo é pioneiro em relação ao plantio, manejo e comercialização da famosa planta?

- No Estado do Rio de Janeiro, o pioneirismo da experimentação do lúpulo é atribuído a Nova Friburgo e Teresópolis, que começaram a trabalhar de forma concomitante, mas independente. A Rede Lúpulo tratou de convergir os objetivos em prol da unificação das ações.

Em relação ao seu valor comercial o lúpulo pode ser considerado o “ouro verde” da agricultura?

- Em relação ao valor comercial do lúpulo, temos de ter em mente que atualmente quase a totalidade do produto utilizado nas cervejarias é importado. Portanto, trata-se de um insumo caro. Caso se consiga produzir lúpulo em larga escala e este tenha qualidade similar ao produto importado, a tendência é a obtenção de preços mais acessíveis às cervejarias.

A produção friburguense encontra-se em escala experimental, qual a previsão para atingir a escala comercial?

- Ainda é muito cedo para se fazer previsões em relação à cultura do lúpulo atingir a escala comercial. Primeiramente, temos de nos certificar se a planta realmente se adaptará à nossa latitude (e consequentemente clima), que é muito diferente à original da espécie. Em caso positivo, ainda teremos de avaliar as cultivares mais propícias ao clima tropical, a produtividade média, a longevidade, os teores de alfa e beta ácidos e óleos essenciais e ainda a suscetibilidade às pragas e doenças. Acredito que o monitoramento desses fatores só trará respostas a partir do quinto ano de maturidade das plantas.

A produção de lúpulo já é um bom investimento em Nova Friburgo?

- A produção de lúpulo é uma alternativa de investimento que está sendo tratada com extremo cuidado, exatamente para não criar falsas expectativas. Sem o domínio do manejo produtivo, ainda não podemos prever produtividades que compensarão satisfatoriamente os custos de produção. Porém, com o aumento do consumo de cervejas artesanais e a tendência de utilização de insumos locais para obtenção de cervejas diferenciadas, até mesmo com indicação geográfica, as perspectivas a médio e longo prazos são animadoras.

Alguma mensagem?

- A principal mensagem para quem quiser iniciar o plantio de lúpulo é procurar o máximo de informações confiáveis possível e nunca se aventurar sem conversar com profissionais da área de ciências agrárias e produtores que já cultivam o lúpulo. O investimento é alto e a tomada de decisões dependerá sempre da relação entre os principais fatores de produção envolvidos. Microclima, solo, exposição à luminosidade, topografia, disponibilidade de água e mão de obra são aspectos fundamentais a serem considerados. 


O projeto desenvolvido pela Acianf visa incentivar toda a cadeia produtiva através da cessão de mudas(comodato) - com manejo assistido - aos produtores parceiros. Há ainda o incentivo aos cervejeiros de usar esses lúpulos em suas receitas e as pesquisas relacionadas ao plantio ocorrem no viveiro Paulo Cordeiro, que está localizado no distrito de Amparo e foi pioneiro no cultivo da planta no município. Há ainda a expectativa de, juntamente com o consulado da Bélgica, viabilizar a vinda de um mestre-cervejeiro para ministrar um curso de média duração que será oferecido aos cervejeiros friburguenses. Em outra importante parceria existe a perspectiva de desenvolvimento de uma planta mais adequada ao nosso clima através de um projeto do Sebrae, Para Júlio Cordeiro, presidente da Acianf, o Projeto de Fomento à Cultura do Lúpulo: do Plantio à Comercialização é de extrema importância para o desenvolvimento econômico do município movimentando não só a agricultura, como também indústria, comércio e, de maneira muita intensa, o turismo!

 

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