Por: VICTOR VIANA

13/05/2021

12:28:51

BÚZIOS NÃO É MAIS UMA VILA

Ordenamento do território e a sua relação com o turismo - Artigo Kiki Reis Búzios
BÚZIOS NÃO É MAIS UMA VILA
“O plano de ordenamento do território tem por missão desenvolver as bases técnicas para formulação e condução a nível regional da política de ordenamento do território e das cidades e da gestão urbanística do território, assegurando deste modo, a utilização sustentável dos recursos territoriais, a equidade econômica, social e espacial, e a salvaguarda dos valores culturais e naturais”. DSOTU 2018

Hoje em dia é amplamente aceito que uma das maiores preocupações e por conseguinte um dos principais objetivos em um destino turístico por excelência deve ser o desenvolvimento e crescimento sustentável dos bairros periféricos. Estruturar este crescimento tem que deixar de ser uma ambição e passar a ser uma necessidade primária de ordenamento do território, uma vez que melhora significativamente a qualidade de vida da população e ajuda a garantir um futuro melhor às próximas gerações.

Logo, uma relação equilibrada entre as políticas de ordenamento territorial periférico e o seu impacto no turismo requer uma melhor entrega de serviços essenciais à estas comunidades, levando desta forma ao crescimento sustentável e à uma melhor qualidade de vida, sendo que certos princípios são direitos sociais garantidos pela Constituição, exigindo assim a melhoria e re-priorização na oferta de serviços básicos, além de uma melhor distribuição dos empregos e dos equipamentos nos territórios, garantindo assim equidade com infraestruturas e atendimento na saúde e na educação.

Uma das mensagens que li depois do artigo que escrevi sobre “A importância da escala arquitetônica em um destino turístico” foi que “Búzios está além do centro da cidade, seus bairros precisam ser incluídos”. Está corretíssima esta colocação e em alguns casos temos bairros que precisam, inclusive, ser incluídos nas experiências oferecidas aos turistas, como a do TBC (turismo de base comunitária), por exemplo.

Já visitei destinos turísticos que conseguiram identificar a tempo seus potenciais, mesmo num processo acelerado de turismo de massa. Através de reordenamento e planejamento DubrovniK (Croácia) é hoje um dos destinos turísticos mais demandados no Mar Adriático, com um ticket médio diário acima de seus concorrentes próximos. Mas posso igualmente dar um exemplo contrário, de uma vila de pescadores no sul de Portugal, Albufeira no Algarve, que tem hoje cerca de 40 mil habitantes. Albufeira já foi um local delicioso para passar férias: vilarejo charmoso, com praias muito bonitas, mas que se deixou destruir, perder sua identidade, pelo turismo de massa e o desestruturado investimento que corre em paralelo com esta “enchente de gente ávida por consumir coisas diferentes”, investimentos em comércios que nada tinham em comum com o turista mais seletivo que procurava aquele destino.

É um pouco o que hoje vemos em Búzios. Como dizia um outro comentário ao meu artigo, “Búzios não é mais essa vila há muito tempo”, e é fato que deixamos de ser vila a partir de 12 de novembro de 1995 quando Armação dos Búzios passou a ser considerada oficialmente uma cidade, tornando-se distrito-sede de um município. Entretanto, julgo o que se pretendeu dizer com o dito post foi que estamos perdendo as “características de vila”. E são destas que falo quando entendo que ainda estamos em tempo de manter nosso patrimônio vivo, pois nossa identidade se fortalece com o padrão arquitetônico consistente e coerente que ainda temos e, por isso, nosso ordenamento e planejamento de território também tem que levar em consideração a não destruição deste bem, pois ele é fundamental para diferenciar Búzios dos outros destinos turísticos do país.

Por: Kiki


 

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