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Introdução da Matéria
Não sei exatamente porque determinei 7 décadas para o término da minha experiência terrena. Talvez tenha sido pelo fato de meu pai ter falecido na semana em que completaria essa idade ou porque havia o mito de que nossa família dela não passava, ou em função das duas hipóteses, não me recordo.
Texto
Negrito
Itálico
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Na época em que cismei com isso era uma realidade muito distante, entretanto o tempo passou e a proximidade do provável fim me faz pensar que, em função da força das palavras, posso estar realmente sentenciado. Logicamente isso é apenas uma conjectura, pois não encaro a hipótese como um fato consumado. Também não tenho nenhuma intenção de , daqui a 5 anos, dar cabo da minha vida, apenas me vejo disposto a desfrutar de cada instante mais intensamente, como se fosse pela última vez. Não é triste, melancólico ou mórbido, é apenas uma motivação extra para celebrar as boas coisas da vida, entendendo que tenho data de validade que pode ser de até mais de 100 anos, vai saber? O que realmente importa para mim é que tenho pensado nisso. Vejo-me refletindo sobre “as coisas da vida” e acredito estar encontrando a sonhada paz interior. Logicamente preciso melhorar muito nesse sentido, principalmente no aprimoramento da capacidade de aceitar as coisas como elas são. Isso é muito difícil, mas tenho me esforçado muito para alcançar sabedoria suficiente para lidar com a dura realidade. Estamos em contagem regressiva desde o dia em que nascemos e encaro com muita naturalidade o fato de que a cada ano que passa estarmos mais próximos do fim. A expectativa criada para minha passagem está gerando um sentimento intenso de apego aos mínimos detalhes. Agradeço a beleza das manhãs - com o “sol desvirginando a madrugada” -, sou grato também pelo entardecer no qual cada pôr do sol é único e até passei a gostar do anoitecer. Sou uma pessoa solar com uma preferência evidente pelo dia, verdadeiramente nada notívago. mas a noite também possui seus encantos, como em quase tudo na vida. Sigo em frente tendo como lema um trecho de uma das músicas do poeta Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz!”
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