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Introdução da Matéria
Todos que conhecem uma boa cachaça, sabem que ao sair da bica do alambique ela é cristalina, totalmente translúcida, com aromas que lembram a cana e frutas maduras. É no processo de envelhecimento em barris de madeira, que a branquinha ganha cor, aroma e ainda mais sabor!
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Todas as bebidas destiladas (cachaça, uísque, rum, vodca, gin, conhaque,...) ao final do processo de destilação resultam em um destilado incolor. A cor amarelada que essas bebidas adquirem é obtida ao serem armazenadas em barris de madeira. Nesse processo os destilados também adquirem novos sabores e aromas, tudo relacionado com o tipo de madeira e o tempo de contato com ela. Os benefícios desse processo surgiram ao acaso. Séculos atrás com a necessidade de armazenar e transportar as bebidas, nessa época era a madeira o material mais comum e mais fácil para a confecção desses recipientes. Notou-se após deixar as bebidas em contato com esses barris uma melhoria significativa na qualidade do produto final e, a partir daí passou-se a armazenar de forma intencional as bebidas em barris para melhorar sensorialmente os destilados. No caso da cachaça mesmo sem envelhecimento em madeira, ela apresenta sabores e aromas muito agradáveis, o que não é o caso do uísque por exemplo. A cachaça pode ser acondicionada, armazenada ou envelhecida em madeira, processos que iremos aprofundar em outro texto da coluna. Mas em todos esses casos, ao ter contato com a madeira, a cachaça torna-se muito mais complexa e equilibrada, o álcool presente na bebida extrai compostos da madeira, interações com o oxigênio através dos poros do barril também formam ácidos, ésteres, e aldeídos que modificam química e sensorialmente a cachaça, são reações lentas que enriquecem em aroma e sabor além de trazer uma riqueza de cores para o nosso destilado. A madeira mais utilizada nesse processo é o carvalho, madeira de clima temperado que não é produzida no Brasil, podendo ser o carvalho americano ou o francês. Também nota-se no mercado um aumento da oferta por cachaças armazenadas em madeiras nativas, ou seja, madeiras de biomas brasileiros, como a amburana, bálsamo, castanheira, ipê e jequitibá rosa, cada uma contribuindo com um sabor e aroma característico. Também existem as madeiras neutras nativas que não passam cor para a cachaça, como é o caso do amendoim, freijó e o jequitibá branco, mas também agregam sabor e aroma. Ao comprar e apreciar uma cachaça sempre atente-se às informações do rótulo, veja o tipo de madeira utilizado e vá desenvolvendo uma memória sensorial com as particularidades de cada uma.
Um brinde!
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