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Introdução da Matéria
Com as principais vias longas de escalada do Brasil (Três Picos) e fazendo parte dos 1500 km que compõem a Serra do Mar, o município é um convite a prática do montanhismo e escalada. No detalhe: Paulo Braga em uma de suas incursões pelas montanhas de Nova
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Infelizmente os atrativos naturais precisam de um urgente ordenamento, já que a utilização desregrada está resultando na degradação das nossas belezas cênicas. A gestão do turismo municipal carece de infraestrutura, campanhas educativas, fiscalização e punição exemplar para aqueles que insistem no uso predatório. A inconsequência de alguns gera desdobramentos que ocasionam prejuízos incalculáveis. Para tratar do assunto entrevistaremos o experiente guia de turismo Paulo Braga Júnior (Juninho): A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou um projeto de lei que torna a prática do montanhismo Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Podemos considerar um avanço, mas qual é o atual cenário para a prática de atividades turísticas relacionadas ao montanhismo em nossa cidade? - Não é o ideal, precisamos ordenar o acesso aos atrativos. É importante que haja um controle de fluxo para que nossas montanhas continuem belas e atraentes para turistas e visitantes. A capacidade de carga e a manutenção da limpeza devem ter atenção especial. As montanhas devem ser frequentadas por pessoas que tenham o real entendimento da palavra sustentabilidade. Existe algum estímulo governamental a prática do turismo ligado á natureza? - É preciso haver um controle de acesso, fiscalizando-se o número de pessoas por grupo para que não haja uma utilização predatória. Somos privilegiados por poder contar com uma região dotada de natureza deslumbrante. É fundamental que ela seja conservada! Gostaria de sugerir algumas ações para que haja o ordenamento do uso dos atrativos? - Sim, um controle maior por parte do poder público em relação ao uso predatório, não só das montanhas, como também das nossas cachoeiras. Há um grande desgaste das trilhas de acesso e também dos próprios locais em si. Tudo em função de um turismo desregrado. É fundamental o ordenamento do uso, pois a degradação pode fazer com que esses importantes atrativos naturais percam sua pujança. Locais feios e poluídos não são atraentes para o público amante da natureza. Os montanhistas friburguenses têm promovidos mutirões de limpeza. Onde são encontrados os maiores sinais de degradação em nossas montanhas? - O Centro Excursionista Friburguense (CEF) já, tradicionalmente, adota uma política de preservação com a realização de limpeza dos cumes e até de campanhas educativas. Os mutirões ocorrem com frequência, mas estamos observamos que a facilitação de acesso - com a colocação de cordas, correntes e demais acessórios - está contribuindo para acelerar a degradação de locais como a Pedra da Posse (Focinho de Porco) e Chapéu da Bruxa na Região do Caledônia e os Picos Menor e Médio na Região de Salinas, por exemplo. As pessoas estão frequentando mais os ambientes naturais e percebe-se claramente uma movimentação maior nos cumes, rios e cachoeiras. No Circuito Caledônia é comum encontrar mais de 300 banhistas em um pequeno poço de rio. São realizados mutirões de limpeza? - Estamos atentos ao acúmulo de lixo nos cumes e seus acessos, e sempre que necessário agimos nesse sentido. A recuperação das matas ciliares também é um dos nossos objetivos para que os mananciais sejam protegidos, permitindo que as vazões das nascentes tornem possível o abastecimento dos vários afluentes da nossa região. É bom ressaltar a importância da Região do Caledônia para o turismo, não só em função do seu maciço como também por abrigar a Saudade de Asa Cinza, uma espécie raríssima e endêmica, que atrai observadores de aves de várias partes do mundo. Alguma mensagem? Gostaria que o guiamento fosse realizado de maneira profissional e consciente. Aspectos como segurança e preservação devem ser considerados sempre. Não cabe amadorismo, pois a responsabilidade é enorme. Nova Friburgo deve ser, realmente, a meca do montanhismo e é preciso trabalhar muito nesse sentido!
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