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Introdução da Matéria
..O sol desaparecia por trás dos morros, mas ainda havia claridade no céu. Muita gente botava cadeira na calçada para conversar e ver o movimento. Naquela hora os homens chegavam do trabalho.
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Negrito
Itálico
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Alguns desabotoavam a camisa ou o macacão e ficavam na calçada de conversa; outros iam direto para casa tomar banho e jantar. Crianças brincavam e às vezes debandavam para atender aos chamados das mães. No meio da alegria Carmélia abriu o portãozinho do quintal e saiu para a rua empurrando a bicicleta junto com Ceará. Os dois riam muito e Ceará segurou a bicicleta para Carmélia sentar e se ajeitar sobre o quadro. Aquilo chamou a atenção da vizinhança. Naquele tempo, não se usava moça de família receber homem em casa nem sentar em quadro de bicicleta, o normal era ir na garupa, sentada de lado com os joelhos juntinhos. Todos conheciam Carmélia, que nunca teve namorado e já não era tão moça assim, embora fosse de família. Fazia tempo que ela e Ceará conversavam, ela no quintal, por cima do muro, e ele em pé na calçada, apoiado à bicicleta. Pela primeira vez viam os dois juntos. Carmélia morava só e vivia dentro de casa. Saía todos os dias, mas era para ir à mina buscar água e isso nem podia contar como sair, pois a mina ficava bem ao lado da casa dela. Ceará era simpático, cumprimentava as pessoas e batia uma bola com os meninos. O sobrinho de Carmélia dizia que ninguém derrubava manga a pedrada tão bem quanto Ceará. Todo mundo já o conhecia, Tinha garoto que falava: "Olha o Ceará de Carmélia!", Carmélia não se sentou direito no quadro e a bicicleta quase caiu. Os dois riam que se acabavam. A vizinhança olhava, espantada com tanta liberdade, só as crianças não ligavam e também riam da falta de jeito de Carmélia. Ceará segurou a bicicleta com firmeza e ela se acomodou. Ele deu impulso, sentou-se no selim e partiram, sorrindo, pela calçada. Foram até o fim da rua por uma calçada e voltaram pela outra. Carmélia ria que fazia gosto ver, mas aquilo não tinha cabimento, moça andar em quadro de bicicleta de homem. E Carmélia estava de saia, as pernas brancas à mostra, o batom muito vermelho. Subiram a rua e desceram, desceram e subiram. As mulheres olhavam com reprovação e comentavam, os homens também olhavam, sorriam, sussurravam uns com os outros. Ceará pedalava fechando os joelhos, roçando as coxas no lombo de Carmélia. Numa das idas e vindas, Ceará fez a volta onde os garotos jogavam bola. Na hora ele quase perdeu o equilíbrio, teve que botar o pé no chão para apoiar a bicicleta. Os dois riram muito e ele pegou o rosto dela e deu um beijinho nos lábios. Os garotos até soltaram um alegre "Eeeee... em uníssono. A pele clara do rosto feliz de Carmélia ficou da cor do batom. Em Ceará não deu para perceber, pois era moreno fechado, mas os dentes grandes e muito brancos sobressaíram na noite que descia.
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