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Introdução da Matéria
A primeira vez que ouvi o disco Clube da Esquina foi um momento inesquecível. Meu primo me apresentou essa verdadeira obra prima. Eu ainda era adolescente e sem muito conhecimento de música, mas minha reação foi visceral. Senti uma erudição absurda e, apesar de meu pouco conhecimento, tive a certeza de estar vivendo um momento histórico.
Texto
Negrito
Itálico
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A despedida do Lô Borges, fez com que me conectasse mais uma vez com o universo mágico que culminou com a gravação da “Clube da Esquina”. A parceria dele com Milton Nascimento resultou em um novo momento do cenário cultural e artístico nacional, desencadeando um irreversível processo de renovação de valores, conceitos e tudo mais que fosse relativo a produção musical em solo brasileiro. A icônica capa do álbum mostra dois meninos em uma estrada de terra. Durante décadas, muitos acreditaram que fossem Milton e Lô quando crianças. No entanto, eles eram Antônio Carlos Rosa de Oliveira (Cacau) e José Antônio Rimes (Tonho), fotografados perto de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. O disco, produzido em 1972, incorporou as mais variadas influências, desde o “pop psicodélico, folclórico tradicional, composições barrocas e influências próprias de Lô e Milton, como obra de arte é profundamente brasileira: multi-racial, internacional e eclética”. Muitas curiosidades permeiam essa produção impar. Primeiramente a permanência dos artistas mineiros em Marazul, na Região Oceânica de Niterói, onde compuseram inspiradas canções. O título da obra foi em função da esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Belo Horizonte, local de encontro do grupo de amigos e músicos. Era numa calçada que eles se reuniam. Outra curiosidade, é que ocorreu uma verdadeira "tempestade perfeita" durante as gravações que, apesar da precariedade de recursos da época, resultou em um sincronismo mágico e produtivo, no qual, tudo deu certo! A capa do disco, para mim, seria uma foto de meninos em uma estrada nos sertões das Minas Gerais. Entretanto, o registro foi feito numa área rural de Nova Friburgo. Clicada em 1971, a foto, que durante muito tempo acreditou-se ser de Milton Nascimento e Lô Borges na infância, na realidade era Tonho e Cacau. Segundo Cafi – o fotógrafo -
“Foi como um relâmpago. É uma imagem forte... a cara do Brasil.”
Em 2012, a identidade das crianças foi revelada. Já adultos, José Antônio Rimes (Tonho) e Antônio Carlos Rosa de Oliveira (Cacau) tiveram conhecimento da foto e acabaram ingressando com um processo indenizatório na justiça que não logrou êxito. Acima das curiosidades está o legado deixado pelo álbum.
“O Trem Azul”
,
“Paisagem da Janela”
e
“Nada Será Como Antes”
, dentre outras inesquecíveis canções, fez com que o Clube da Esquina continue sendo um símbolo de inovação e liberdade musical no Brasil.
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