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Introdução da Matéria
Ficava depois da praia da Boa Viagem, após uma curva da barranca de barro vermelho de onde partia para mar adentro uma carreira de grandes pedras submersas, visíveis apenas nas marés baixas. Aos pés da curva se espalhavam seixos claros e arredondados, criando uma praia pedregosa. Adiante nascia a Praia Vermelha, limitada no outro extremo pelo Forte Gragoatá..
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... O nome “Vermelha” devia-se à tal barranca de argila daquela cor. No tempo de Araribóia chamavam aquele trecho do litoral de “Barreiras Vermelhas”. Foi bom ter conhecido um pedaço antigo da minha terra. Acho que já não existem “Barreiras Vermelhas” nestas “Bandas D’ Além”. A praia era mansa e rasa. Para nós, adolescentes pescadores, um paraíso. Havia ricas lajes submersas onde abundavam garoupas, badejos, grandes sargos, robalos e até ciobas, além dos costumeiros peixes de passagem, como pampos e tainhas. Dizem que a Praia Vermelha foi um dos pontos estudados para a construção da Ponte Rio-Niterói. E o motivo se devia, justamente, ao solo marinho rochoso, a alternar lajes e areia entre as duas cidades, solo firme para a fixação de pilares. Lembro-me das manhãs suaves de invernos e outonos na Praia Vermelha. Poucos a frequentavam. Encontrava-se um ou outro banhista refestelado ao sol, um pintor com seu cavalete e pescadores. Hoje a Avenida Litorânea passa sobre as nossas lajes. Lá embaixo, longe do mar, na fímbria dos prédios e soterrada por camadas de pedras e terra, jaz para sempre a Praia Vermelha. Lá embaixo e em nossas lembranças, que num átimo também perecerão.
Do livro “A montanha, o mar, a cidade”. Ed. Novas Ideias 2010.
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