16/11/2020 - 17h48min - Autor: Secom/PMNF - Eloir Perdigão

Nomes de editais e chamadas públicas para repasse dos recursos emergenciais homenageiam artistas e expoentes do setor

Nomes de editais e chamadas públicas para repasse dos recursos emergenciais homenageiam artistas e expoentes do setor

A Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (14.017/2020), seguindo o calendário estabelecido pela Secretaria de Cultura, em conjunto com o Conselho Municipal de Política Cultural, abre inscrições para o repasse dos recursos, já liberados para o Município, na ordem de R$ 1milhão e 200 mil. Desta forma, a legislação federal que estabelece auxílio à classe artística, em função da pandemia, entra na fase de divulgação das chamadas públicas, editais de fomento e prêmios dos incisos II e III, cujas inscrições serão entre 12 e 19 de novembro.

O grupo de trabalho, composto por representantes dos poderes Executivo e Legislativo, além da sociedade civil organizada, e que vem se reunindo semanalmente de forma virtual, debateu e deliberou homenagear “in memoriam” nomes expressivos do meio artístico friburguense. São eles: o ator performista Nelmo Ricardo Martins Dias; a cantora, compositora e multi-instrumentista Heloísa Orosco Borges da Fonseca (Luhli); o pintor e escultor autodidata Francisco do Couto; o músico e cantor André Henrique de Souza (‘Nego Dé’) e o produtor e ativista cultural Júlio César Seabra Cavalcante (Jaburu). Eles dão nome aos editais e chamadas públicas, a exemplo de Aldir Blanc, o jornalista e compositor carioca que também foi homenageado com o nome na Lei, por ter sido uma das vítimas fatais da Covid-19. 

PRAZOS E OBRIGAÇÕES 

secretário municipal de Cultura, Mário José Bastos Jorge, alerta que os interessados precisam ler atentamente os documentos, que totalizam cinco editais e chamadas públicas. “Neles também existem prazos e obrigações as serem atendidos. Pedimos às pessoas que fiquem atentas a esses detalhamentos”, diz o secretário, acrescentando ainda que a Secretaria de Cultura está à disposição, através de seus canais, para esclarecimentos de quaisquer dúvidas. 

De incentivadora de Ney Matogrosso à contribuição em Lumiar 

Heloisa Orosco Borges da Fonseca (Luhli), nascida no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1945, faleceu em Nova Friburgo, a 26 de setembro de 2018. Cantora, compositora e multi-instrumentista (violonista e percussionista), ficou conhecida por ter apresentado Ney Matogrosso aos ‘Secos e Molhados’, possibilitando a formação clássica do grupo. Fez parte da dupla Luli e Lucina, entre 1972 e 1996. Na década de 1970, a dupla foi pioneira da música independente no País. 

A artista faleceu aos 73 anos, vítima de insuficiência respiratória e fez arte até o último instante de sua vida, na vila de Lumiar, quinto distrito friburguense, onde viveu sua última década e deu imensa contribuição. Além de compositora e musicista, mas também como ativista cultural, sendo voluntariamente multiplicadora de conhecimentos, desenvolvendo projetos culturais, envolvendo e encantando a população local, entre outros, através dos projetos “Tambores de Luz” e “Danças da Terra e do Mar”, levando alegria às ruas e fazendo o povo dançar.

LUHLI - Heloisa Orosco Borges da Fonseca dá nome à Chamada Pública nº 02/2020, visando repasse financeiro (subsídios) às organizações culturais formais e informais, espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas e organizações culturais comunitárias. 

Nelmo Ricardo, artista e performista urbano 

Nelmo Ricardo Martins Dias, nascido em 18 de setembro de 1961, em Nova Friburgo, iniciou no teatro como todo jovem idealista. Seu despertar para a atividade aconteceu no Grupo de Promoção Humana (GPH - Cônego). Foi caixa de banco, sócio de livraria, de restaurante de comidas alternativas, de brechó e, finalmente, de um espaço cultural que, infelizmente, não chegou a inaugurar. Inventivo, imprimiu às ruas da cidade o colorido de seus personagens. Divertia crianças, adultos e idosos com suas singelas, e quase sempre mudas, criaturas. 

Nos palcos de teatros nos anos 1980/90, teve muitas e grandes atuações (“Toda nudez será castigada”, “Cabaret Valentin”, “Drape e Pau” e “Procurando uma história”), além dos filmes “O rapto das cebolinhas” e “Limpim”. Generoso com pessoas e animais, alma pura e grande coração, faleceu em 27 de janeiro de 2013. Figura incomparável de talento inimitável, faz muita falta no cenário da arte friburguense.

Chamada pública nº 03/2020 Edital Festival Nelmo Ricardo, para apresentações artístico-culturais (online), nas mais diversas linguagens. 

Chico do Couto: artista popular e autodidata 

O artista plástico friburguense Francisco do Couto viveu mais de 80 anos, 40 dos quais dedicados às artes. Autodidata, criava peças originais com todo o tipo de material. Com muito talento e sensibilidade de um artista popular, teve suas obras levadas até os Estados Unidos e foi agraciado com o Troféu Guignard, pelo Gama - Grupo Arte Movimento e Ação e com o diploma de excelência, do Instituto Felga i Gracias. 

O artista transformava madeira, argila, barro e pedra-sabão em singulares esculturas. Suas pinturas em óleo sobre tela também se destacam pelas formas e cores. Em sintonia com a preservação ambiental e o conceito de sustentabilidade, "Seu Chico”, como era conhecido popularmente, fazia da reciclagem outro meio de criação. Resíduos naturais, como caule de bananeira e de eucalipto; ou industriais, como embalagens tetrapak, deram forma a suas peças genuínas. 

Ele fez diversas exposições no Centro de Artes, Cadima Shopping, Espaço Cultural da Câmara, Queijaria Suíça e Country Clube, entre outros espaços locais. Suas obras, quadros em óleo sobre tela, esculturas em argila, miniaturas e colagens, revelaram todo o talento e criatividade do criador, que sempre sonhou ser artista plástico e começou cedo. “Desde criança, quando ainda morava na roça, queria fazer arte. Cresci observando tudo que podia sobre o assunto e fui aprendendo na prática a criar minhas peças”, lembrava.

A chamada pública nº 04/2020 recebe o nome de Edital Francisco do Couto para seleção de projetos culturais (Compras de Acervos). 

Entre os homenageados, o músico e cantor Nego Dé 

O músico e cantor ‘Nego Dé’, faleceu em 03 de maio último, aos 41 anos de idade, como uma das primeiras vítimas da Covid na cidade. André Henrique de Souza, de voz forte e inconfundível, tinha um talento que o levou a se apresentar em várias partes do Brasil e da América Latina. 

Em 2011, saiu de Nova Friburgo para um intercâmbio musical Brasil-Argentina, apresentando-se nas cidades de Paraty (RJ), Balneário Camboriú e Bombinhas (SC), Concórdia (província de Entre Rios - Argentina), Universidade de Belas Artes de La Plata (Buenos Aires) e na FIT (Feira Internacional de Turismo - Palermo, Buenos Aires), onde dividiu o palco com o músico e produtor Luiz Meira. 

Nego Dé’ também participou de grandes shows, acompanhando os artistas: Cássia Eller, Jerry Adriani, Everton Castro (The Voice Brasil), Airton Ramos (cover do Raul Seixas) e o grupo ‘Nó Cego’. Em fevereiro, foi uma das principais atrações do Festival Sesc de Verão, em Rio das Ostras, Região dos Lagos.

Nego Dé’ (André Henrique de Souza) dá nome à Chamada Pública nº 05/2020, na forma de Edital para a seleção de Projetos Culturais de Técnicos em Espetáculos de Diversões e do Carnaval. 

JABURU, um de nossos maiores ativistas culturais 

Júlio Cezar Seabra Cavalcanti, o Jaburu, nasceu em Viçosa, Minas Gerais, e veio para Nova Friburgo ainda jovem acompanhando o pai, contratado para chefiar a estação de trem Leopoldina. Aqui fez carreira no Banco do Brasil, como tesoureiro até se aposentar. Paralelamente à atividade de bancário, começou a fazer o que mais gostava: dirigir peças teatrais, tendo sido fundador, em 1966, do Grupo Arte Movimento e Ação (Gama), à frente do qual realizou diversas exposições, montagens, premiações e concertos. Sua extensa bagagem cultural o levou a ocupar alguns cargos de relevância no município, como o de diretor do Centro de Arte, nos anos de 1970 e em 1994, o de vice-presidente do Nova Friburgo Country Clube. 

Jaburu também deixou sua marca no esporte da cidade. Antes, havia sido goleiro do Atlético Mineiro por opção, após recusar convite do São Paulo, pois não queria ser jogador profissional. Deixou o time mineiro, mas acabou voltando a jogar em Nova Friburgo, onde conquistou títulos no futebol e basquete: foi goleiro do Friburgo Futebol Clube, bicampeão municipal e campeão do estado pela seleção de Nova Friburgo. Também jogou basquete pela Sociedade Esportiva Friburguense (SEF). 

Sua vasta contribuição ao segmento cultural trouxe importantes reconhecimentos, como a Medalha Tiradentes, concedida em agosto de 2007 pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em 2011, foi agraciado com a Comenda Barão de Nova Friburgo. Ele também dá nome à sala de leitura do Colégio Municipal Dermeval Barbosa Moreira, em Olaria, recebeu o título de ‘Amigo da Trova’ e pela Lei Municipal 4.729, de 21 de fevereiro de 2020, passou a denominar o Centro de Arte. 

Figura muito querida dos friburguenses, deixou um legado inestimável para o município. Faleceu em 19 de abril de 2016.

A chamada pública nº 06/2020 - Edital Prêmio Júlio Cesar Seabra Cavalcanti (Jaburu) visa a seleção de Instituições Culturais, Associações, Sociedades, Organizações não Governamentais, e outras instituições do gênero no Município.

Parceiros