05/10/2020 - 18h02min - Autor: Attila Mattos

 DONA LISBETH E SUA EGUINHA BONECA  

 DONA LISBETH E SUA EGUINHA BONECA   

Há muitos anos eu li um livro chamado “Todas as criaturas grandes e pequenas” ( Al creatures great and smal) que contava as aventuras de um veterinário que foi para o interior da Inglaterra para ser auxiliar de um outro veterinário que era antigo na região de Yorkshire. As suas histórias eram tão interessantes que tornaram-se uma série de televisão conhecida e admirada em todo mundo. Venho sempre lembrando dessas experiências do inglês quando vivo os meus próprios episódios nesses quase 40 anos que trabalho em Friburgo. Nesse texto vou contar uma dessas aventuras:

       Foi num dia comum na década de 1980 que fui chamado para atender uma égua num sítio no local chamado Córrego do Macuco aqui em Friburgo. Quando lá cheguei descobri que os proprietários eram suíços radicados no Brasil e que tinham 3 filhos bem jovens nascidos aqui. Moravam no Rio e tinham esse sítio para lazer nos fins de semana e férias. O sítio era lindo e a família muito bacana. O problema da eguinha era que ela não comia nem evacuava. Fiz um toque retal e encontrei uma bola de futebol mastigada que impedia o trânsito fecal no intestino. Retirei a bola e fiquei sabendo depois que ela tinha se curado. Depois disso eu continuei a ser chamado para atendimentos aos animais.

     Mas o tempo foi passando, o pai da família faleceu, os filhos cresceram, tomaram o rumo de suas vidas e minha amiga Dona Lisbeth ficou sozinha. Foi então que resolveu morar no sítio onde permaneceu por uns 20 anos. Durante todo esse tempo ela me contratava para atender os cães e gatos que preenchiam sua vida e afugentavam a solidão. Sempre que ia lá batíamos altos papos, quase sempre na cozinha perto de seu lindo fogão de lenha. Os animais viviam dentro de casa e nunca faltava música que ela ouvia o dia inteiro. Ela também mandou instalar uma antena que lhe permitia conversar com seus filhos; um no Rio, uma em São Paulo e outra na Suíça. Assim ia vivendo com as reminiscências do passado e com o presente dividido entre os animais, os caseiros do sítio, filhos e netos que apareciam em feriados e  férias. De vez em quando também viajava para visitar os filhos. Há alguns anos Dona Lisbeth teve um AVC e faleceu passado algum tempo. Eu ainda atendo os animais mantidos no sítio pelos filhos.

    Mas voltando aos anos 80, tempos depois que atendi a eguinha Boneca, chegou o natal e eu fui passar com minha mãe em Niterói. Acredito que era dia 26 de dezembro quando cheguei de volta à clínica para trabalhar e encontrei um envelope que foi colocado por debaixo da porta. Dentro do envelope tinha um cartão de natal com os seguintes dizeres:” a eguinha  Boneca lhe agradece por ter salvado sua vida e lhe deseja um feliz natal”. Foi impossível não chorar naquele momento e até hoje me emociono ao lembrar do fato.

    Certamente os seres humanos melhoram com a convivência com os animais.

    Portanto, caros leitores, é preciso amar os animais com responsabilidade!!!

    

Parceiros