23/09/2020 - 14h41min - Autor: Attila Mattos

DRA. NATALIA E SEU BICHANO LELECO

DRA. NATALIA E SEU BICHANO LELECO

Era uma quarta-feira à tarde e eu estava no corredor do Fórum esperando por uma audiência. Com passos lentos, uma senhora sentou-se à frente de minha advogada e começaram a conversar. A senhora aparentava ter entre 40 a 50 anos e parecia cansada...

 ...Aos poucos percebi, pela conversa, que se tratava da promotora. Ouvi quando relatou que hoje teria 14 audiências e que nem sabia a que horas chegaria em casa. Ouvi também quando ela disse que os filhos tinham ido estudar fora, que só morava com ela a mais jovem, de 14 anos, e que sentia falta dos filhos. Pensei que ela estava passando pelo mesmo momento que eu, a síndrome do ninho vazio, que dói muito até a gente se acostumar com a ausência dos filhos. A conversa delas seguiu até que fomos chamados para a audiência. Quando entrei na sala observei que a juíza tinha aspecto de idade e cansaço semelhante ao da promotora. Eram duas senhoras, ainda jovens, com certeza com filhos, e vestidas formalmente como exige a função que exercem na sociedade. Imaginei naquele momento como deveria ser exaustivo passar dias inteiros ouvindo depoimentos muitas vezes ridículos dentro desse quadro de “cultura do litígio” que se instalou no Brasil e que leva cidadãos que poderiam resolver suas contendas amigavelmente, a tornarem-se inimigos quase sempre por ação de advogados inescrupulosos que estimulam as ações banais para se locupletarem com as brigas entre as pessoas.

A audiência seguiu e logo ficou claro que a proposta de uma das partes era irrecusável, porém, a outra parte não aceitava e nesse momento ficou mais evidente e justificável o cansaço de ambas, da promotora e da juíza. Num determinado momento, a parte que não aceitava o acordo lançou uma pérola: “eu até fui morar em Lumiar, um lugar lindo e cheio de cachoeiras”. Minha primeira reação foi de rir visto que essa declaração nada tinha a ver com o processo, mas minha advogada me chamou atenção visto que meu riso seria considerado deboche apesar da declaração ter sido mesmo ridícula. Mas num segundo momento comecei a pensar o quanto aquelas duas senhoras, juíza e promotora, estariam exaustas e ansiosas para ir para casa, tirar a roupa de trabalho, tirar o sapato alto, colocar uma sandália ou mesmo ficar descalça, fazer uma comidinha gostosa, beber um suco, vinho, cerveja, ou qualquer coisa que as fizesse relaxar depois de ter passado o dia ouvindo esses absurdos que se ouve em audiências.

Naquela noite, a nossa Dra. Natalia chegou em casa às 22h e quando já tinha enfim mudado a roupa para uma vestimenta mais leve, o telefone tocou e era sua filha pedindo que a pegasse no curso de inglês. Mais uma vez nossa amiga, morta de cansada, trocou de roupa e foi buscar a filha. Eram perto de 23h quando ela e a filha entraram em casa. Natalia, acabada, atirou-se no sofá e foi nesse momento que entrou em cena seu gato Leleco. O bichano subiu no sofá e acariciou Natalia com seu pelo sedoso como se compreendesse a exaustão da mesma. Durante meia hora ficaram ali em relaxamento até que ela pegou no sono. Mais ou menos à meia-noite Natalia despertou mais forte, fez um pequeno lanche, escovou os dentes, botou pijama e deitou. Já na cama, pensou: “o que seria de mim sem o Leleco?”

É impressionante a importância dos animais em nossas vidas. Portanto, caros leitores:

É PRECISO AMAR OS ANIMAIS COM RESPONSABILIDADE!

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