22/09/2020 - 00h32min - Autor: Attila Mattos

 Dona Lucy e sua gatinha Milú

 Dona Lucy e sua gatinha Milú

Até hoje não sei porque Dona Lucy me contou essa história. Talvez porque ela gostasse de mim, confiasse ou mesmo, quisesse desabafar...

        Lucy, foi menina que ficou órfã muito cedo e  foi criada por uma tia, um parente, sei lá eu que não recordo precisamente da narrativa. O fato é que fez o curso normal, como se chamava na época a formação de professores.  A professorinha Lucy não era tão jovem quando se casou com o Doutor Henrique, o dentista da cidade, e com ele teve duas filhas; Ana Lúcia e Adriana, com quem tive meus queridos filhos Henrique e Walter, dos quais tenho grande orgulho. Naquela tarde de domingo, como era de costume, conversávamos na mesa da cozinha e ela começou a me narrar o dia da morte de seu marido. 

Faço aqui um parêntese, para contar que os dois, Lucy e Henrique, espíritas, realizaram um maravilhoso trabalho de caridade na cidade de Santo Antônio de Pádua, no Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, tendo até uma escola com o nome do prestimoso doador do terreno e construtor das instalações; Escola Municipal Dr. Henrique Barros, pessoa simples que dedicou sua vida para ajudar muitas pessoas.

      Voltando àquela tarde de domingo, enquanto todos dormiam, eu e minha sogra tratávamos de assuntos diversos e num determinado momento contou-me que Henrique no dia de seu falecimento estava almoçando e ela percebeu que ele não conseguia pegar a comida do prato com o garfo, certamente estava tendo um AVC. Seguiu-se todo o procedimento médico no hospital mas terminou com a morte do mesmo, deixando mãe e filhas, sendo que Adriana ainda era bem pequena. 

A professora Lucy, viúva e com duas meninas, desdobrou-se para criá-las, talvez com a ajuda dos parentes e amigos, até a formação delas, uma em psicologia e outra em serviço social. Quero ressaltar que Lucy, no meu entendimento, sempre foi um tanque de guerra, mas com o passar dos anos, com a idade avançada e as dores normais da vida, começou a enfraquecer e assim veio a depressão. 

Foi dentro desse quadro, que numa sexta feira à tarde seu neto Rafael adentrou à casa da avó com uma gatinha que achou perdida na praça em frente à sua casa. Lucy nunca foi muito afeita aos animais domésticos, mas, ao ver aquela gatinha desamparada, perdeu a noção do dia ou da noite e abraçou-a como se fosse um anjo que desceu a terra. Daí, imaginem, ficaram grandes amigas. Deu-lhe o nome de Milú e permaneceram juntas até o desencarne de Lucy. 

Depressão? Nem pensar, nunca mais.  Lucy passou a curtir os filhos, os netos e principalmente a Milú, sua amiga inseparável. Deus é bom conosco, ele envia a tábua de salvação, e a gente agarra se quiser.  Fico feliz em contar mais essa história; fico emocionado, choro, mas sei que passo esse exemplo para aqueles que sofrem de solidão sem saber como sair dessa circunstância.

        Se você está triste ou solitário, adote um animal e ele será seu amigo para sempre.

        Assim, caros leitores, é preciso amar os animais com responsabilidade.

 

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