11/09/2020 - 09h01min - Autor: Attila Mattos

MEU PRIMO RONALDO E SEU GATINHO BICHANO

Os animais e a saúde mental do homem

MEU PRIMO RONALDO E SEU GATINHO BICHANO

Essa história ocorreu na década de 1920 a 1930 em Niterói. A filha do Desembargador Souza Dias teve um filho fruto de um relacionamento com um rapaz com quem não de casou, tornando-se assim mãe solteira, o que na época era um escândalo. Tempos depois ela se uniu a um homem que não aceitou que ela levasse o neném para a casa onde foram morar. Sendo assim, ela deixou a criança com a mãe, mas todos os dias, depois que o marido ia trabalhar, ela partia para a casa dos pais para estar com seu filhote. Conta-se que numa tarde, ela muito apaixonada pelo seu bebê, pegou o bonde levando consigo o pequeno Ronaldo para casa. Lá chegando, brincaram na cama e pegaram no sono. Quando o marido chegou, homem rude e operário da construção civil, encontrou sua esposa dormindo com o filho de outro homem. Sentindo-se traído, pegou seu revólver e matou a mulher. Ronaldo ficou órfão em tão tenra idade dessa forma terrível.

        Era uma quarta-feira de manhã quando os quatro filhos homens do Desembargador saíram de casa para executar a vingança de sua irmã cruelmente assassinada pelo pedreiro covarde. O homem tinha que morrer, pensavam eles. Os quatro o encontraram em cima de um telhado onde trabalhava e não perderam tempo; descarregaram seus revólveres contra o homem que já caiu no chão sem vida. Conta-se que na fuga um deles até desmaiou mas os irmãos o carregaram até que acordasse.  O plano de fuga era atravessar a Baía de Guanabara num barco a remo até o Rio de janeiro, então capital federal, visto que toda essa estória aconteceu em Niterói, então capital do antigo Estado do Rio. Assim fizeram, e logicamente que, quando chegaram ao Rio, a polícia já os esperava. Foram presos e julgados. O relato é de que o próprio Desembargador redigiu a defesa dos filhos na cama, visto que havia sofrido um derrame cerebral e não andava mais. O fato que foi que um advogado os defendeu no júri popular baseando-se na defesa redigida pelo Desembargador e os quatro foram absolvidos.

       Ronaldo, o menino órfão, foi sendo criado nas casas dos tios, inclusive na casa de minha avó que era casada com um tio dele, um dos irmãos de sua mãe que foi assassinada. Na adolescência, talvez movido pela estória de sua mãe, resolveu estudar direito e, anos mais tarde, tornou-se um dos maiores advogados criminalistas que o Brasil conheceu. Eu ainda o assisti num júri que fez em Friburgo nos anos 80. O homem dava um show. Era o Dr. Ronaldo Machado, aquele menino achado ao lado de sua mãe morta na cama em que dormiam. Fez grande sucesso.  Ainda trago na lembrança a imagem do primo famoso em seu automóvel MP Lafer viajando da capital para fazer seus júris no interior do estado.  Ganhou muito dinheiro, casou algumas vezes e, enfim, teve uma vida intensa e certamente feliz.

       Mas a velhice foi chegando e com ela o cansaço, a doença e, sabe-se lá porque, visto que coração dos outros é terra que ninguém anda, aquele homem poderoso entrou em depressão. O quadro foi se agravando, ele foi definhando e antes que chegasse a óbito alguém lhe presenteou com um gato ao qual ele deu o nome de Bichano. O felino passou a ser a alegria do velho advogado que melhorou enormemente. O bichinho estava sempre em seu colo quando o homem sentava em sua cadeira de balanço. Quando aparecia alguma visita Ronaldo o abraçava contra seu próprio peito e dizia: balança o rabo Bichano, e o animal obedecia como se entendesse. Depois ele dizia: balança mais rápido Bichano, e o gato balançava a cauda freneticamente. Era um espetáculo incrível. Assim conviveram até o fim da vida de Ronaldo.

        Essa é mais uma estória verídica que mostra a influência dos animais na saúde mental do homem e como eles podem salvar vidas.

      PORTANTO, CAROS LEITORES, É PRECISO AMAR OS ANIMAIS COM RESPONSABILIDADE!!!            

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