16/10/2019 - 09h37min - Autor: Ricardo Silva de Souza

MEL

ALIMENTO SOB FOGO CRUZADO ENTRE A CONTAMINAÇÃO E A ADULTERAÇÃO

MEL

Estudos paleobiológicos indicam que as abelhas produziam e estocavam mel há quase 20 milhões de anos, portanto muito antes dos nossos primeiros ancestrais diretos. O homo sapiens em sua rotina coletora/caçadora localizava os enxames e extraía o mel encontrado, sem conhecer dos outros produtos associados, como cera e própolis. Em algumas regiões do Brasil e do Mundo, dada à precária infraestrutura de produção, o cenário não difere muito daqueles tempos pré-históricos.


Hoje, mais do que nunca, a importância das abelhas é reconhecida por todos. Segundo a FAO, entidade da ONU ligada à alimentação e agricultura, cerca de 75%  das principais culturas alimentares do planeta dependem do poder polinizador das abelhas.  Entretanto, a população global de abelhas tem diminuído em função, não apenas do crescente uso de agrotóxicos como, também, em decorrência da diminuição de espaços da agricultura familiar em favor da monocultura extensiva do agronegócio. O Censo Agro 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou que 1,6 milhão dos produtores agropecuários usaram agrotóxicos em 2017 no país. A taxa subiu 20,4% em 11 anos e a aplicação dos químicos representa grande perigo para a vida das abelhas. 

É crescente no mundo a preocupação com produtos alimentícios contaminados e adulterados. Em 2018 o parlamento Europeu apresentou medidas para proteger as populações de abelhas e combater as importações de mel adulterado. Para aumentar a produção de mel de forma sustentável, todos os elos da cadeia produtiva devem ficar atentos às exigências dos mercados consumidores com relação à qualidade. A demanda mundial por mel, principalmente por produto diferenciado, mostra tendência de crescimento.
A China, maior produtora mundial de mel, com 230 mil toneladas/ano, tem perdido mercado por usar produtos químicos na apicultura e, como as abelhas brasileiras se alimentam de flores, sem agrotóxicos, o Brasil pode aumentar sua participação no mercado europeu, que comprava 50 mil toneladas de mel chinês por ano. 
O consumo per capita de mel no Brasil situa-se entre os menores do mundo. Em 2017, o consumo de mel no Brasil foi de 0,07kg/pessoa/ano enquanto em países como a Alemanha é superior a 1 kg/pessoa/ano. Portanto, existe um vasto mercado interno, porém ainda potencial, pois grande parte da população brasileira percebe o mel apenas como um medicamento, sendo um dos principais fatores que explicam o baixo consumo deste produto no País. Assim, o mercado internacional coloca-se como uma alternativa para o produtor brasileiro comercializar a produção.

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