24/06/2019 - 12h33min - Autor: Ricardo Silva de Souza

A FOME ESCONDIDA POR BAIXO DO TAPETE VERDE AMARELO DO AGRONEGÓCIO

A FOME ESCONDIDA POR BAIXO DO TAPETE VERDE AMARELO DO AGRONEGÓCIO

A saúde alimentar do brasileiro ainda persiste com dois problemas crônicos: o desperdício e a insegurança alimentar ou FOME CRÔNICA. O alerta é feito pelo projeto “Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil sobre desperdício de alimentos”, realizado a partir de uma parceria entre a Embrapa e a Fundação Getúlio Vargas.

Segundo o estudo, “cada brasileiro desperdiça, em média, 40 quilos de alimentos por ano. Se considerarmos uma família de 3 pessoas, em 1 ano, o valor do desperdício ultrapassa os R$1.000,00 e considerou, tão somente, o universo familiar sem considerar perdas em restaurantes, empresas, hotéis e escolas. Os R$ 1 mil perdidos ao ano representam apenas o gasto com a compra dos alimentos mais desperdiçados, como o arroz (28,33kg), carne (25,76 kg), feijão (20,60 kg), frango (19,32) e leite (5,15 litros).”

 

A insegurança alimentar atinge cerca de 22% da população brasileira. Setorizando esses dados verifica-se que os estados do norte e nordeste encontram-se no mesmo patamar dos países mais pobres do mundo, chegando a alcançar 60 % no Maranhão. Esses dados assumem proporções de tragédia social quando lembramos que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de alimentos, batendo recordes de produção a cada ano.

 

Enquanto uma em cada sete pessoas no mundo sofre com desnutrição, um terço de toda a comida produzida pelo sistema agrícola global é perdido a cada ano, segundo dados do Programa Ambiental das Nações Unidas (Pnuma).

 

E um novo estudo do Boston Consulting Group (BCG) “alerta que o desperdício global de alimentos aumentará em mais de 30% até 2030 se nenhuma ação for tomada. 

Na ponta do lápis, os números impressionam: um total de 2,1 bilhões de toneladas de alimentos não chegarão ao seu destino final (a mesa das pessoas), o equivalente ao desperdício colossal de 66 toneladas por segundo. O desperdício de comida significa também perda de recursos naturais, contribuindo assim para impactos ambientais negativos. Isso representa US$ 1,2 trilhão perdidos e 8% das emissões globais anuais de gases de efeito estufa, vilões do aquecimento global. ” 

 

Segundo diretores do BCG, “as soluções para lidar com o problema são em geral fragmentadas, limitadas e insuficientes dada a magnitude do problema, que só deve piorar à medida que mais países se industrializam e o mercado consumidor aumenta.” 

 

 

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