21/11/2018 - 12:35h - Autor: Ricardo Silva de Souza

TERRA ESTUFA – PARTE 2

TERRA ESTUFA – PARTE 2

Na primeira parte deste artigo, fiz o alerta emitido por pesquisadores europeus e americanos sobre o risco inexorável do planeta atingir o ponto de inflexão, a partir do qual não se poderão reverter as consequências do efeito estufa.

"Um aquecimento de 2°C poderia ativar elementos de inflexão importantes, elevando ainda mais a temperatura para ativar outros elementos de inflexão em um efeito dominó, que poderia fazer a temperatura do sistema da Terra aumentar", destaca o relatório.

Essa cascata "poderia inclinar todo o sistema da Terra para um novo modo de operação", disse o coautor Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Pesquisas de Efeitos Climáticos de Potsdam.

Os especialistas também estão preocupados com outros fenômenos, como incêndios florestais, que se propagarão à medida que o planeta se tornar mais quente e seco e têm o potencial de acelerar o acúmulo de dióxido de carbono e por consequência, o aquecimento global.

O artigo, intitulado "Perspectiva", se baseia em estudos publicados previamente sobre pontos de inflexão da Terra. Os cientistas também examinaram condições que o planeta experimentou no passado remoto, como no Plioceno, há 5 milhões de anos, quando o gás carbônico (CO²) estava em 400 partes por milhão (ppm), como hoje.

No Cretáceo, era dos dinossauros há 100 milhões de anos, os níveis de CO² eram ainda mais elevados, atingindo as 1.000 ppm, em grande parte em razão da atividade vulcânica. O tempo geológico tratou da auto-regulação do clima do Planeta. Entretanto, a atividade humana nos últimos 200 anos nos aproximou, terrivelmente, do caos climático e suas consequências tão conhecidas.

Afirmar que 2°C é um ponto sem retorno "é novo", disse Martin Siegert, codiretor do Instituto Gratham no Imperial College de Londres, que não participou do estudo. Os autores do relatório "coletaram idéias e teorias previamente publicadas para apresentar uma narração sobre como aconteceria o cruzamento do limiar", disse. "É bastante seletivo, mas não absurdo."

Segundo os cientistas, as pessoas devem mudar imediatamente seus estilos de vida. Os combustíveis fósseis precisam ser substituídos por fontes de energia com emissões baixas ou nulas. Devem ser criadas mais estratégias para absorver as emissões de carbono, como acabar com o desmatamento e recuperar áreas já desmatadas para absorver o dióxido de carbono. Na lista de ações está a gestão do solo, melhoria das práticas agrícolas, conservação de terras e costas e implementação de tecnologias de captura de carbono. 

 

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