13/09/2018 - 17:47h - Autor: Roberto Vassallo

A Crítica

Orientar é a melhor forma de ajudar. Compreender é tarefa difícil, no entanto, é mais prudente do que julgar.

A Crítica

 

Está mais do que provado: criticar nada constrói. É o mesmo que apedrejar a vítima forjada pelo orgulho pessoal. A chamada crítica construtiva constitui mero pretexto para demolir os valores e a autoestima da pessoa humana. Tem peso idêntico ao daquela máxima: “Se queres corromper alguém, enfraqueça-o moralmente”, que por sua vez remete a “Quem desdenha quer comprar”.


Na verdade, toda crítica é apenas um ponto de vista discordante, geralmente egoísta e presunçoso que não acrescenta nada. Pelo contrário, representa um estímulo a mais para a criatura sedimentar suas convicções e levar a cabo seus propósitos.


O crítico tenta passar a falsa impressão psicológica de que sabe mais, que domina, que tem razão, de que é altaneiro e mais maduro. Coisa nenhuma! Em muitos casos, a crítica exerce o papel de agente manipulador, às vezes superior ao da mídia e da religião.


No fundo, o desejo do crítico (inconfesso) é menosprezar e até humilhar a criatura visada, a tal ponto de levá-la à indignação; em último caso, até à revolta.


A crítica é um ato intempestivo e precipitado, uma vez que quem critica pouco ou nada sabe a respeito do outro. Daí ser o crítico um inconveniente de carteirinha, exatamente porque fere sentimentos ao arranhar a intimidade alheia.


A História tem mostrado: as pessoas que alcançaram sucesso na vida, os grandes luminares e aqueles que estão à frente do seu tempo, trouxeram na bagagem um rosário de críticas, quase todas ferinas. Triunfaram justamente porque souberam passar, incólumes, por esse duro teste de caráter, não se deixando abalar por julgamentos mesquinhos.


Pelo exposto, antes de criticar alguém, prove ser melhor do que ele, a fim de se fazer respeitar. Caso contrário, você corre o sério risco de ser interpretado como um invejoso.


De fato,  crítica é negação, não afirmação. Além disso, os críticos são incapazes de contribuir com soluções objetivas por intermédio da orientação correta e da fórmula adequada às circunstâncias do momento. Noutras palavras, críticos são péssimos orientadores. A crítica atrapalha, ao passo que a orientação ajuda e esclarece. E muito ajuda quem não atrapalha.


Em contrapartida, as pessoas são o que são, e ninguém é o que não é. Pensando bem, ninguém critica para absolver. Assim sendo, o respeito é a alma da convivência.


Efetivamente, o grande equívoco do crítico é pensar que pode impor sua vontade como forma de autoafirmação, infelizmente, em detrimento da dignidade do próximo. Por haverem perdido o senso de imparcialidade, é entre os críticos que vamos encontrar o maior contingente de arrogantes.


Num mundo instável social e economicamente, suscetível a mudanças bruscas de humor e de temperatura, é cada vez mais crescente a necessidade de se garimpar bons orientadores, faróis ambulantes com a habilidade responsável de apontar caminhos e fornecer respostas a questões incipientes, ou saídas honrosas a preocupações iminentes, para que o indivíduo não seja apanhado de surpresa. Isso realmente edifica, soma, engrandece e enobrece.


Ora, assim como não há dinheiro que pague uma boa informação, da mesma forma, não existe riqueza maior do que uma boa orientação. Sabem por que? porque bem orientado, o sujeito encurta o caminho e chega rápido e com segurança aonde quer; mal orientado, não chega a lugar nenhum. Como a função da crítica é perturbar, confundir e desnortear, nessa situação a criatura fica vulnerável, tornando-se presa fácil das más influências. O que revela, em última análise, ser a crítica nada pedagógico. Resultado: tudo que desvia o indivíduo do foco das suas legítimas aspirações, é destrutivo. E estamos conversados.

Notícias relacionadas

CLIQUE AQUI PARA VER MAIS

Compatilhe nas Redes Sociais!

comentários