14/05/2018 - 15h31min - Autor: Roberto Vassallo

OS DOIS TIPOS DE MILAGRES

OS DOIS TIPOS DE MILAGRES

Quando se ouve falar em milagre, logo vem à mente a ideia de religiosidade, como se somente a religião tivesse o poder de realizar prodígios.

Esta, porém, é só uma parte da questão, mormente se não levarmos em conta as maravilhas que acontecem todo dia e toda hora ao nosso redor produzidas pela tecnologia.

 

FÉ E CONHECIMENTO

 

De fato, existem os milagres da fé e os do conhecimento. O primeiro é fruto do ardor e da convicção pessoais, logo, de foro essencialmente íntimo  de cada um. Já os milagres do conhecimento resultam do aprendizado decorrente dos erros e acertos traduzidos pelas experiências da humanidade, bem ou mal-sucedidas ao longo dos séculos, que possibilitaram as grandes descobertas, a ponto de tornar a vida humana o que ela é hoje, cheia de facilidades e repleta de comodidades, fazendo-a menos  penosa e mais prazerosa, não obstante os grandes desafios continuarem desfilando diante de si. Mas, é assim o processo evolutivo. Aí entra novamente em cena  a  clássica relação entre ciência e religião, que sempre transitaram em vias opostas.  É como se houvesse um embate oculto entre instinto e razão.

Ora, se considerarmos  a fé como instinto e ciência como razão, fica claro que cada uma tem o seu momento certo para se manifestar e desempenhar o papel inerente à sua natureza.

Na verdade, como o instinto e a razão são próprios da natureza humana, então, há ocasiões em que deve-se abandonar aquele e usar esta; enquanto que noutras a razão deve ser colocada à margem a fim de que o instinto se expresse livremente. Só a sabedoria é capaz de nos dizer quando um deve prevalecer sobre a outra, e vice-versa.

 

CONFUNDINDO AS COISAS

 

Recorrendo ao exemplo clássico da História, Moisés, ao separar as águas do Mar Vermelho, fez uso de um conhecimento singular a  ele concedido, mas hoje perdido, após atingir a fase superior como estudante das Escolas de Mistérios do Antigo Egito. O mesmo foi feito ao tirar água da pedra, fazer chover o maná, trazer as codornas para alimentar seu povo etc., etc., etc. Tudo isso, absolutamente, nada teve a ver diretamente com a fé, do ponto de vista espiritual, como pensam ou querem muitos, e Jeová, absolutamente, não influiu em quase nada  nessa fenomenologia extraordinária, um marco na história da humanidade. As exceções ficaram por conta da sarça ardente e da transmissão dos Dez Mandamentos, (as Tábuas da Lei), uma exaltação aos valores, mais atuais hoje do que nunca. Não fosse pelo sábio manejo do conhecimento cabalístico que tornou possível produzir, inclusive, as dez pragas, visto pelos teólogos  fundamentalistas evangélicos como ocultismo religioso, nada disso teria sido possível. "Mais coisas existem entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia". A interpretação deturpada e fantasiosa dessa cadeia de eventos pelos extremistas sectários cristãos, é que atribuiu unicamente a Deus a execução dessas maravilhas. Como se tratou de algo completamente inusitado e incompreensível até hoje, é normal o costume de se jogar nas costas da divindade a responsabilidade de ter sido a causadora de tudo que está registrado na Torá.

 

DISTINGUIR É PRECISO

 

Por outro lado, no mundo atual, muitos têm sido testemunhas de um sem número de milagres, como os de cura, transformação pessoal, por exemplo, que acontecem toda hora, fruto exclusivamente da fé. Não confundir com a paranormalidade que é "show business".

Aliás, os fenômenos se dividem em quatro classes: normais, anormais, paranormais e divinos. É justamente este último que acha-se intimamente ligado à fé; muito embora nos dias de hoje, infelizmente, tem sido relegado ao ostracismo.

As curas paranormais são meras ilusões de ótica. Já foram vistos vários casos de curas paranormais produzidas em troca de dinheiro. Não demorou muito os supostos curadores tiveram que devolver o vil metal aos pacientes, ou ficaram publicamente desmoralizados, simplesmente porque tudo voltava à estaca zero, com as pessoas reclamando, uma vez que seus males haviam reaparecido. 

 

ASSIM ESTAVA ESCRITO

 

Isso nos remete às profecias bíblicas, segundo as quais surgirá um impostor fazendo-se passar pelo Cristo, e esse enganará a muitos com suas pretensas maravilhas e prodígios. O recurso utilizado para iludir as massas será justamente o da paranormalidade.

Portanto, aos incautos deslumbrados, um aviso: fiquem atentos(orai e vigiai) e não caiam nessa astuciosa armadilha.

 

A QUEM CABE O QUÊ?

 

Fé é convicção na existência de uma força sobrenatural mediadora entre Deus e o homem, invisivelmente atuante, a qual, por estar além, escapa ao controle individual. Conhecimento é poder palpável, e poder implica responsabilidade pelo modo como este é utilizado. Daí dizermos que aquele ou aquela que detém ou manipula determinado conhecimento, está com o poder nas mãos. Como grandes poderes implicam grandes responsabilidades, quando esses poderes são usados para  o confronto, unicamente para provar a supremacia de uma nação sobre a outra, invocando como justificativa o elemento defesa, o perigo é iminente, sobretudo no que se refere ao poderio nuclear e o das armas químicas. Então, infelizmente, vemos o conhecimento ser utilizado para o mal, para destruir. Porém, não nos esqueçamos de que aquele que destrói acaba sendo uma vítima em potencial da sua tresloucada irresponsabilidade, enfim, do seu poder de prejudicar. Noutras palavras, o mal destrói-se a si mesmo! 

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