08/05/2018 - 15:20h - Autor: Ayrton Dias

Nova Friburgo 200 anos

A “Suíça brasileira” está em festa

Nova Friburgo 200 anos

Nova Friburgo é conhecida como a cidade de todos os povos! Há de se fazer justiça aos diversos países colonizadores que contribuíram para a prosperidade da “Princesinha da Serra”. A multifacetada Friburgo é fruto de notórias influências que atuaram de maneira determinante em seu desenvolvimento. Alemães, austríacos, espanhóis, húngaros, italianos, japoneses, libaneses, portugueses e nação pan-africana tornaram o município friburguense um lugar único e muito especial. Nas comemorações do bicentenário é patente o reconhecimento por tudo que essas nações amigas representam!

Praça Getúlio Vargas- Foto: Regina Lo Bianco

Recentemente Nova Friburgo obteve - através de lei sancionada pelo governo estadual- o título oficial de "Suíça brasileira"! Foi uma justa homenagem a participação helvética na criação de um município que teve em sua gênese elementos suficientes para compor o roteiro de um verdadeiro filme épico!

Lançamento da programação  200 anos Nova Friburgo - www.200anos.com - Foto: Êxito Rio

Sem dúvida, coube aos suíços o protagonismo no processo inicial da colonização friburguense e, após 160 anos, a histórica retomada de relações que resultou em intenso afeto mútuo e constante intercâmbio. A cordialidade entre a famosa cidade serrana e, notadamente, o Cantão de Fribourg - que deu nome ao município-  é impressionante e admirável! Segundo o presidente da Associação Nova Friburgo-Fribourg Geraldo Thuler, após longos anos de afastamento somente na década de 1970 - através das pesquisas realizadas pelo suíço Martin Nicoulin que resultaram na publicação do livro "A Gênese de Nova Friburgo”- foram retomados os laços de amizade. Essas pesquisas resgataram todos os sobrenomes das famílias suíças pioneiras despertando enorme sentimento de pertencimento em seus integrantes, que passaram a escrever biografias, organizar encontros anuais e a fazer intercâmbio com a terra natal de seus ascendentes.

Geraldo Thuler(esquerda) ao lado do Vice-Consul suíço Christophe Vauthey. Ao fundo a Casa Suíça-Foto: Êxito Rio

Geraldo faz questão de destacar que o trabalho de Nicoulin, dentre outras coisas, incentivou a criação do Instituto Fribourg-Nova Friburgo. “Em 1977 veio um grupo de suíços a Friburgo e durante a visita foi criado esse Instituto que tem por objetivo promover ações culturais. A primeira iniciativa da instituição foi difundir a fabricação de queijo- uma antiga tradição suíça- e para isto foi inaugurada em 1º de agosto de 1987 (Dia Nacional da Suíça) a Queijaria-Escola, que posteriormente passou a se chamar Queijaria Suíça, atualmente arrendada por uma empresa privada. Para ensinar a produzir chocolates artesanais, outra tradição helvética, o Instituto, através da doação da empresa Nestle, inaugurou uma Chocolataria”.

Geraldo afirma também que desde 2015 está envolvido com os preparativos de uma extensa programação relativa a celebração do bicentenário que prevê, dentre outras atrações, oficinas de gastronomia com a participação de chefs suíços, lançamento de cerveja alusiva a ocasião, conclusão de projeto de cinema envolvendo diretores dos dois países, disputa de partidas de futebol americano, apoio ao projeto Pró-Memória Digital e recepção festiva da comitiva de aproximadamente 140 suíços que virá prestigiar o período comemorativo. Segundo ele, a programação vai até dezembro de 2019. 

Orgulho suíço

 

Marcel Auguste - Foto: Êxito Rio

Dos 11 cantões suíços envolvidos na viagem ao Brasil Friboug é o que tem uma maior relação de proximidade. Foram 830 pessoas que partiram de lá em “jornada sem volta” para fundar uma cidade. Para Marcel Auguste Shcuwey, que está coordenando o intercâmbio no ano do bicentenário da colonização, a participação do seu povo nesse processo é motivo de muito orgulho. “Por 160 anos laços de amizade ficaram esquecidos, mas a partir de 1977 conseguimos resgatar nossas cordiais relações. Neste ano o meu país está em festa e virá mais de uma centena de suíços para participar dos 200 anos de Nova Friburgo”!

Casa Suíça e o Memorial da Colonização

 

A Casa Suíça é um espaço vivo e dinâmico que mantém uma exposição permanente no Memorial da Colonização Suíça - um presente do Governo do Canton de Fribourg. O Memorial foi desenvolvido para apresentar de maneira muito bem documentada e com grande riqueza de detalhes, a história da presença helvética em Nova Friburgo”.

Inaugurado em 1º de agosto de 1996, O Memorial é um grande atrativo que através de visitas guiadas conduzidas por profissionais altamente especializados que narram de maneira envolvente e em meio a mobiliário, trajes, ferramentas e utensílios que evocam o dia-a-dia dos colonizadores suíços apresenta toda a saga dos colonizadores suíços. Nessa verdadeira viagem ao passado o visitante vislumbra a fundação de Nova Friburgo e os eventos que propiciaram a reaproximação dos suíços e brasileiros nos últimos anos. Um moderno sistema multimídia também permite o acesso ao histórico dos primeiros imigrantes suíços e a uma série de vídeos em alta definição que mostram a Suíça como ela é hoje, com seu povo, suas cidades, montanhas, rios e castelos.

Segundo a diretora cultural da Casa Suíça Rosane Canto, o Memorial é parte integrante de um complexo turístico repleto de atrações como Queijaria e Chocolataria, lojas de lembranças e artesanatos, ateliê, um encantador jardim que dispõe de lago, chafariz, uma majestosa estátua do herói suíço Guilherme Thell e até de uma Cervejaria (Alpendorf), que em breve contará com um espaçoso Biergarten.

Serviço:

Estrada Friburgo ‒ Teresópolis Km 18 s/n‒ Conquista

 Funcionamento: Diariamente das 9h às 12h e das 13h às 18h (inclusive feriados) 

Contatos: Tel: 2529-4358/ E-mail: contato@casasuica.info/Site: www.casasuica.info

 Cônsul Rudolf Wyss, Embaixador Andrea Semadeni, vice-Cônsul Christophe Vauthey em visita ao Memorial da Colonização Suíça - Fotos: Êxito Rio

Curiosidades

 Em seu centenário (1918), representantes do município comemoraram a data telegrafando a Portugal para comunicar que estava cumprida a missão designada por Dom João VI. Comemorava-se os 100 anos também com a composição do hino à glória dos fundadores. 

Segundo o Instituto Histórico e Geográfico, de acordo com a documentação existente, o município deveria celebrar sua fundação a partir de 03 de janeiro de 1820, data da fundação da Câmara. Essa polêmica surgiu durante as comemorações do 150° aniversário e mesmo assim a celebração continuou ocorrendo em 16 de maio.

O bicentenário tem como data referencial o ano de assinatura do decreto real (16 de maio 1818), mas 16 de novembro 1819 é muito representativa pelo fato de registar a chegada dos primeiros suíços no Brasil. O dia 1 de agosto é o dia Nacional da Suíça e a Casa Suíça promove durante todo esse mês diversos eventos comemorativos, tendo como principal atração o concorrido Festival do Chocolate!

João Silvério Moura e Maria da Glória da Silva Moura, da tradicional família suíça Moura. “A dificuldade de comunicação fez com que vários sobrenomes tivessem grandes alterações na grafia. Tacheron, por exemplo, passou a ser registrado como Teixeirão-Foto: Êxito Rio

Existem apenas nove queijos tipicamente brasileiros, e o Moleson de Nova Friburgo é um deles. Trata-se de um queijo de massa semidura com casca lavada e firme. Maturado por sessenta dias, o Moleson é amanteigado, levemente picante e de intensidade mediana. O Moleson foi o primeiro queijo de casca lavada a ser desenvolvido no Brasil. Seu diferencial consiste na aplicação, sobre o queijo, de uma bactéria lática chamada lines, que forma uma fina camada de enzimas que agem sobre a massa, conferindo ao queijo sabor e aroma especiais.

Raphaël Fessler,presidente do Instituto Fribourg-Nova Friburgo, em visita a Queijaria Suíça-Foto: Êxito Rio

Thurlers -Os donos da chave

A partir da publicação do livro "A Gênese de Nova Friburgo” os integrantes friburguenses  da família Thurler começaram a se aprofundar em pesquisas sobre as suas próprias origens. Com o conhecimento obtido nesse processo e as viagens de intercâmbio em que tiveram contato com parentes suíços foi possível recuperar a história ancestral desse verdadeiro clã. A história dos Thurlers é repleta de fatos e personagens marcantes como um herói revolucionário que foi homenageado com uma estátua em um Cantão suíço. Diretamente relacionada a colonização de Nova Friburgo essa tradicional família se destaca, dentre outros aspectos, pela contagiante alegria. Em função disso, o empresário Reynaldo Thurler, proprietário da cinquentenária empresa Thurlerflex, fundou em 1983 a Associação da Família Thurler(AFT) que promove eventos anualmente em nível internacional. As animadas festas contam com a presença de mais de mil familiares, muitos vindos de vários estados brasileiros, da Argentina e até da Suíça. A grosso modo, Thurler significa “o dono da chave”, que pelo visto só pode ser a da felicidade.

 

Reynaldo Thurler, um bem-sucedido empresário que tem muito orgulho da sua família. Reynaldo fundou há 34 anos a AFT que foi presidida por ele, pelo primo Geraldo Thuler, e que atualmente tem a sua prima Terezinha Thuler( foram registrados com essa grafia) no comando-Foto: Êxito Rio

Mozer: A verdadeira grande família

 Bloco Flor do Luar- Carnaval 2018-Foto: Êxito Rio

A Vila Mozer é habitada por uma família de origem suíça que guarda muitas tradições. Localizada no distrito friburguense de Lumiar, é um lugar tão especial que se tornou uma atração turística, principalmente em função de uma concorridíssima festa tradicionalmente realizada no último sábado de julho. Além de reunir os familiares em ambiente festivo, a festa julina tem como objetivo a arrecadação de fundos para o desfile do Bloco Flor do Luar, outro grande projeto dos Mozer que acontece há 41 anos durante o carnaval. A família tem como principal legado o lema do inesquecível e visionário patriarca Astrogildo Mozer: "Todo homem deve ter em primeiro lugar a obrigação, depois a devoção; e também não pode faltar, de jeito nenhum, a diversão".

Um sonho tropical

Os empresários suíços Urs e Yvonne Ammann poderiam ter investido em qualquer lugar do mundo, mas escolheram Nova Friburgo para realizar um antigo sonho. Eles encontraram no bucólico distrito de Amparo as condições ideais para viver em comunhão com a natureza e resolveram compartilhar sua satisfação inaugurando, em 1986, o Aubergue Suisse, uma experiência temática muito original. O empreendimento foi desenvolvido para proporcionar aos seus frequentadores ambiente rural em um espaço único, requintado, sofisticado e de extremo bom-gosto. Tudo isso em meio a agradável clima serrano e natureza muito bem preservada.

 Yvonne e Urs  mantêm em seu estabelecimento o melhor da gastronomia e hospitalidade suíça-Foto: Êxito Rio

O casal construiu estábulos, bangalôs, restaurante e desenvolveram uma completa  infraestrutura para oferecer “férias na fazenda”, com direito a queijo de vaca fresca, queijo de cabra em óleo e ervas, leite, ovos e legumes de produção própria. Tudo isso no padrão europeu, pois eles fazem questão de manter forte em terras brasileiras as tradições suíças!

Os ”suíços brasileiros””! 

Em 4 de julho de 1819 partiram da Europa 2.006 suíços que tinham como missão fundar uma colônia em Nova Friburgo. Eram 830 pessoas de Fribourg, 500 de Berna (incluindo o Jura de Berna), 160 do Valais, 90 do Vaud, 5 de Neuchatel, 3 de Généve, 143 de Aargau, 118 de Solothurn, 140 de Lucerna e 17 do Schwyz, mas em função das adversidades da viagem apenas 1.617(14 bebês nasceram durante a viagem) chegaram à “terra prometida”. Muitos não encontraram as condições ideais para permanecer e, em 1823, partiram em busca de oportunidades em outros lugares, permanecendo na colônia alguns núcleos familiares que contribuíram para a formação do povo friburguense.

Desfile da caravana suíça durante as comemorações do bicentenário

Muitos suíços que se estabelecem no Brasil têm um perfil diferente dos imigrantes suíços que os precederam. Diversos artistas, cientistas, empresários elegeram o Brasil para viver por encontrar no país oportunidades e amigos. Eles - a exemplo dos seus antecessores- além de trazerem na bagagem, espírito empreendedor, respeito pelo ambiente e exigência de qualidade, tornam-se também “suíços brasileiros”.


 “O grande legado é a história” 

Nelson Boher-Foto:Êxito Rio

A História da Fundação D. João VI de Nova Friburgo efetivamente se dá em 2010 através de um projeto de preservação do acervo por processo de digitalização. Esse trabalho contou, dentre outros, com a participação Nelson Augusto Bohrer presidente da instituição na época. Nelson tem como convicção que – apenas - guardar e preservar não é o bastante, para ele é necessário difundir! Imbuído desse sentimento ele vem desenvolvendo o projeto Pro- Memória Digital através da tecnologia “Conectese, Compartilhe e Colabore”. Essa plataforma conceitual que dirige o conteúdo do arquivo para a sala de aula, criada e desenvolvida por Nelson, permite uma ação efetiva na área de educação: “Nosso propósito é a educação, e a criança é o nosso melhor futuro. Nela devemos depositar todo nosso esforço, todo nosso conhecimento, todas as nossas esperanças. Como é possível, de outra forma, expressar o desejo de preservar o futuro”?  Para Nelson, em relação ao bicentenário, a história é o legado principal! 


 

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