31/01/2018 - 17h41min - Autor: Roberto Vassallo

FEBRE AMARELA

FEBRE AMARELA

Como os índios se protegem da ação dos mosquitos transmissores da febre amarela, já que o ambiente em que vivem é hostil?


O surto de febre amarela silvestre que se abateu sobre a zona rural das cidades do interior de Minas, provavelmente ocasionado pelo grave desequilíbrio ecológico decorrente da tragédia de Mariana, deveria ter servido de alerta às autoridades sobre a necessidade de estender a vacinação às populações dos demais Estados do Sudeste, como medida preventiva; isso sem falar no desmatamento. Agora parece ser tarde demais.

Francamente, não se erradica uma epidemia, seja esta de que natureza for, apenas com a vacinação em massa! Trata-se apenas de um recurso de afogadilho. Certo ou errado, no entanto, esse quadro preocupante deixa no ar mais perguntas do que respostas.

Primeira: os macacos, hospedeiros dessa infecção letal, no ritmo em que a coisa vai, estariam à beira da extinção, agravando ainda mais o impacto sobre o ecossistema, já que não existe uma vacina capaz de imunizá-los? Até porque, por irônico e sinistro contrassenso, caso fossem imunizados não se saberia aonde o vírus estaria circulando.

Por outro lado, não deveria ser imposto um limite para que os bichos não sofram, a ponto de sacrificarem a própria vida em função do bem-estar de nós humanos?

Segundo: Os mosquitos transmissores: Hemagogus e Sabethes, são capazes de, no médio prazo, ameaçar os animais domésticos, cães e gatos, em virtude de uma possível mutação genética? Por extensão, aos bovinos, caprinos, suínos, aos equinos etc.?

Terceiro: conforme é sabido, o aedes aegypti também é vetor da febre amarela, embora seu habitat seja as áreas urbanas. Ora, como a vacina contra a dengue e a Zika estão chegando, esta protegeria também contra a febre amarela?

Em contrapartida, a vacina fracionada, que vem sendo aplicada em larga escala, imunizaria a população igualmente contra a dengue? Se for mera especulação, então por que não combinar ambos os vírus, o da dengue e o da febre amarela e ver o resultado? 

Como em ciência tudo é possível, desde que se parta de premissas lógicas, confirmadas ou refutadas por experimentos em laboratório, não custaria nada tentar.

Quarta: Na área da biotecnologia, o uso de bactérias do gênero Wolbachia, vem mostrando sucesso no extermínio do vetor da dengue. A esse respeito, o cientista australiano Scott O‘Neill, coordenador mundial desse projeto promissor, tem afirmado que o método funciona, não apenas para a dengue, mas também para diversas doenças tropicaisinclusive a zika. Estaria a febre amarela, a malária e o mal de chagas aqui enquadrados?

Encontrada em setenta por cento dos invertebrados do planeta, como borboletas, pernilongos etc., o uso da Wolbachia é uma técnica simples e natural, logo, sem efeitos colaterais. A Wolbachia  bloquearia a capacidade do Hemagogus e do Sabethes de continuar espalhando o vírus da doença? Funciona assim: caso um macho contaminado cruze com uma fêmea sem Wolbachia, os óvulos fertilizados, em tese, morreriam? Em tese ao nos referirmos especificamente à febre amarela, porque com a dengue o sucesso tem sido comprovado. A estratégia seria redirecionar o processo com machos infectados com a Wolbachia, a exemplo do que a Fiocruz vem fazendo em Niterói e na Ilha do Governador, onde os registros de dengue caíram vertiginosamente, para que eles cruzassem com fêmeas livres da bactéria. Assim, progressivamente, esses iriam contaminando a população dos referidos arbovírus. Dessa forma, usando a técnica australiana, possivelmente a febre amarela silvestre seria erradicada, deixando a salvo a espécie dos primatas.

Quinta: Se tudo isso for verdade, a vacinação em larga escala da população contra a febre amarela silvestre, criando um cinturão protetor, especialmente das pessoas que vivem próximas à mata, sem as autoridades  suspeitarem, não estaria tornando esse contingente também imune à dengue? Não se sabe ainda ao certo; só o tempo dirá.

Agora, a derradeira pergunta que insiste em não querer calar. Como os índios se protegem da ação dos mosquitos transmissores da febre amarela, já que o ambiente em que vivem é hostil? Fariam eles uso de algum produto ou preparado especial para consumo, repelente, ou algo ainda desconhecido da ciência? Diz a boa lógica que se nada fizessem para se proteger, as etnias já estariam, desde há muito, exterminadas! Mesmo porque eles são seres humanos como nós. Devido à agressividade do vírus, está praticamente descartada a hipótese de uma defesa natural que os tornaria imunes, não só à febre amarela como a outras conhecidas e perigosas doenças tropicais. 

A propósito, o governo deveria distribuir repelentes totalmente de graça aos grupos de risco. Conforme vem sendo feito, com cada um se defendendo como pode, é mais uma prova de incompetência das autoridades.



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