05/12/2017 - 09:49h - Autor: Ricardo Silva de Souza

MUDANÇAS CLIMÁTICAS OU MUDANÇAS DE ASSUNTO

MUDANÇAS CLIMÁTICAS OU MUDANÇAS DE ASSUNTO

Na segunda metade do século passado, quando se iniciaram os primeiros estudos sobre os impactos da industrialização global nos ambientes da Terra, tiveram início, também, as controvérsias sobre o assunto. É parte natural do processo dialético de exposição de idéias. Parte expressiva do mundo científico, cerca de 95%, entendeu as primeiras quantificações de emissão de gases do efeito estufa como um claro sinal de alerta para os governos mundiais de que algo estava errado. O pensamento minoritário, que entendeu serem os primeiros resultados puramente alarmistas, foi, posteriormente, já no século XXI, cooptado pelos grandes conglomerados transnacionais para justificar a necessidade de manutenção da atual matriz energética fóssil como indutor do crescimento econômico. Para efeito de informação, do total da emissão de CO2 (dióxido de carbono), principal gás responsável pelo efeito estufa, cerca de 45% são provenientes da queima de carvão e 35% da queima de derivados de petróleo. 

Em 2011, foram lançados na atmosfera cerca de 32 gigatoneladas ( 32 bilhões de toneladas) de CO2. Estudos recém divulgados pela ONU alertam para um novo recorde de emissão de CO2 da ordem de 35 gigatoneladas. A China, EUA, União Européia e Índia lideram esse ranking global. 

Uma das grandes preocupações relativas às emissões de CO2 reside na capacidade regenerativa do Planeta, visto que a vegetação continental e o fito plâncton marinho estão entre os organismos capazes de converter o CO2 em oxigênio, água e alimento, por efeito da luz solar, a popular fotossíntese. Na medida em que as principais coberturas florestais do mundo - a floresta amazônica que está cedendo lugar para a pecuária extensiva e agroindústria, a floresta do Congo concedida para a extração de madeiras nobres e a floresta da Indonésia para a agroindústria do óleo de palma (dendê) - apresentam taxas anuais crescentes de desmatamento e, os oceanos, dada a quantidade exacerbada de poluentes orgânicos e inorgânicos, como esgotos industriais e plásticos de todo o tipo, perdem seu natural poder reciclador de nutrientes, verifica-se que a atmosfera terrestre chega ao limite de recepção do dióxido de carbono com as conhecidas consequências para o clima global.

O estudo monitora navios, aviões e estações terrestres para acompanhar as tendências de emissão desde 1750, revelando que o dióxido de carbono está, agora, aumentando 100 vezes mais rápido do que no fim da última era do Gelo – graças ao aumento populacional, às atividades agropecuárias, ao desmatamento florestal e à industrialização.

A última vez que a Terra experimentou evento similar ao visto agora, em relação ao dióxido de carbono na atmosfera, foi durante o Plioceno, período geológico da Era Cenozóica, compreendido entre cinco e dois milhões de anos, quando o nível do mar estava 20 metros mais alto do que agora.

Os países com as economias mais desenvolvidas preferem desacreditar os resultados majoritários produzidos pela comunidade científica a utilizarem-nos na produção de novos paradigmas para o reordenamento do crescimento econômico. Mudanças climáticas, para eles, são mudanças de assunto.

Uma certeza: Terras, hoje emersas, darão lugar a novas linhas litorâneas intensamente ocupadas pelas atuais populações costeiras. 

 

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