21/11/2017 - 14:22h - Autor: Roberto Vassallo

CONVIVENDO COM A BALBÚRDIA

CONVIVENDO COM A BALBÚRDIA

É inegável que o mundo, para ser completo e perfeito, tem que ter de tudo. Nas entrelinhas, o que se quer dizer é que os contrastes é que fazem deste mundo exatamente o que ele é. Tamanha é a diversidade que fica difícil, praticamente impossível mensurar.

Entretanto, seja por força do acaso, do destino, da incerteza, do carma, das aleatórias coincidências, ou por outro termo que melhor se ajuste à compreensão, vivemos um jogo de forças opostas: justo/injusto; alegria/tristeza; felicidade/infortúnio; bem/mal, e assim  por diante. Talvez seja por causa dessa brutal oposição é que a vida se torna mais interessante e menos entediante. Porém, o fato dos contrários se atraírem seguindo a ordem natural das coisas,  não significa necessariamente que se combinam. Melhor seria pronunciar que os semelhantes, quando se atraem, combinam-se perfeitamente, numa relação harmoniosa mais duradoura.


A DIFÍCIL BUSCA DO EQUILÍBRIO


Seja ou não pela ação humana, o difícil é justamente viver o meio termo, o que já seria uma grande conquista. Infelizmente, sabemos que o ambiente próximo ou afastado indica que algo está em gritante descompasso. O mal dando mostras evidentes de estar vencendo o bem. Isso está claramente pontuado pelos índices alarmantes de violência, especialmente no Brasil. A banalização da vida é uma prova insofismável de que o mal está no comando.

Essa história  de que olhado pelo lado transcendental, o caos na segurança se traduz em purificação, conforme insistem algumas correntes esotéricas, absolutamente não convence.


O VÍCIO DO COMODISMO


Na verdade, essa postura expressa um enervante comodismo, omissão daqueles que resolveram cruzar os braços na esperança de que algum milagre aconteça; ou que só o tempo dará as respostas certas. Mas, esquecem-se de que a evolução, regida pelo tempo, logo, demorada, de vez em quando precisa de um choque térmico inesperado para se adaptar às exigências impostas pelas rápidas mudanças que estão acontecendo mundo afora.

Por outro lado, muitos a fim de encontrarem uma boa razão para os atos que praticam, afirmam: é preciso que se cometa um mal menor para se atingir um bem maior. Tal assertiva igualmente não encontra respaldo no bom senso. Até porque uma atitude maldosa, por menos danosa que seja, gera desconfiança e sempre revela a intenção de se alcançar, não um bem como se espera,  mas um mal, seja este maior ou não.


EXISTE MAL NECESSÁRIO?


Ora, se o mal fosse realmente necessário não haveria estímulo suficiente para se empunhar o estandarte do bem.

Em contrapartida, encontrar uma razão para respeitar, valorizar e preservar a vida, é mera questão de educação, baseada nos princípios morais e éticos que estruturam os valores de cada um. E a melhor educação, hoje, ainda é o exemplo.

Enquanto o egoísmo, a falta de amor, de compaixão e os interesses individuais ou grupais prevalecerem sobre os da coletividade como nação, continuaremos vivenciando a escalada da violência, num clima de salve-se quem puder. Só não enxerga quem não quer.

Lamentavelmente, aqueles que erguem nas ruas a bandeira da paz são justamente os mais preguiçosos, sempre à espera de que o governo e autoridades, ou lá quem seja,  façam alguma coisa. De fato, nenhuma crítica ou protesto juntos são superiores à ação articulada focada num objetivo construtivo. Quando esse pensamento predomina perde-se a noção de sociedade, traduzida pela consciência de grupo.


O DEVER DE CADA UM


Ou melhor, ela não deixa de existir, porém, acha-se fragmentada pelo comodismo dos que deveriam contribuir com a parte que lhes cabe para resolver, em termos prioritários, certas questões que afetam a todos. Sob pena da sociedade humana ficar à deriva!

Invocando o velho adágio, o mal cresce exponencialmente no mundo exatamente porque esses (comodistas) homens bons, falsos pregadores da concórdia, não fazem nada, absolutamente nada.

Para concluir, é mil vezes preferível viver em meio à balbúrdia cotidiana, do que isolar-se só porque se discorda

das regras impostas pelo sistema. Nesse caso, corre-se o sério risco de se perder a própria identidade. Afinal, regras foram feitas para serem quebradas.


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