06/11/2017 - 08h36min - Autor: Ricardo Silva de Souza

VIDA LOUCA VIDA, VIDA BREVE, VIDA IMENSA

VIDA LOUCA VIDA, VIDA BREVE, VIDA IMENSA

Segundo o IBGE, em 2012, a esperança de vida ao nascer para o homem era 71 anos e para as mulheres de 78,3 anos. Estima-se que em 2030 possamos ultrapassar a barreira dos 80 anos, mesmo com uma legião de brasileiros sem acesso à infraestrutura sanitária, à cuidados minimamente aceitáveis de saúde pública, à oferta permanente de medicamentos em serviços públicos de saúde, às políticas públicas ainda incipientes de combate a violência de toda ordem e às parcas medidas de inserção social dos que vivem em situação de ultrajante humanidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, em 2014, um importante informe sobre as estatísticas da saúde no mundo, onde informa ter havido sensível melhora da esperança de vida da humanidade, nas últimas décadas.

Uma criança nascida em 2012 tem como esperança média de vida de 72,7 anos, se for mulher, e 68,1 anos se for homem. Isto significa seis anos a mais que a média mundial para os que nasceram em 1990.

Os maiores avanços ocorreram em alguns países de baixa renda - Libéria, Etiópia, Maldivas, Camboja, Timor-leste e Ruanda -, em que a média da esperança de vida aumentou nove (9) anos entre 1990 e 2012, mais precisamente de 51,2 à 60,2 anos para os homens e 54,0 à 63,1 anos para as mulheres.

O principal fator desse incremento foi a redução da mortalidade infantil, bem como a redução das mortes por doenças infecciosas em adultos.

Historicamente, percebemos que a vida do ser humano durava muito pouco há dois mil anos, no inicio da era cristã. Segundo dados demográficos, naquela época, o ser humano vivia em média cerca de 30 anos e metade dos recém-nascidos vinham à óbito antes de completar 1 ano de vida.

Registros paleoantropológicos nos trazem a impressionante similaridade comparativa da expectativa de vida dos nossos ancestrais Neanderthalenses, que viveram entre 350 mil e 50 mil anos atrás, com os humanos dos períodos Antigo e Medieval. 

Sem dúvida, a adoção de novos hábitos de higiene, desde a pré-história, onde nossos ancestrais tinham o hábito de lavar o corpo, contribuiu para a melhoria desses números. Entretanto, por volta do século XIV, com a ausência de projetos de saneamento básico nas vilas e aglomerações humanas na Europa, tivemos o recrudescimento de doenças, como a Peste Negra que, por si só, dizimou quase um terço da população total do continente europeu.

Somente com o advento da era Moderna, essa situação voltou a experimentar alguma melhora quando a esperança de vida aumentou em alguns países da Europa. Na Alemanha do século XIX, por exemplo, a expectativa de vida de uma pessoa atingiu a “surpreendente” marca dos 37,2 anos de idade.

Infelizmente a possibilidade do ser humano estender sua expectativa de vida não é algo possível à todos os povos visto que a enorme e crescente disparidade de projetos sociais e econômicos, à disposição  da humanidade, interfere, diretamente, na variação desses valores. Japão (86,3 anos), França (84,5 anos), Espanha (84,3 anos), Suíça (84,2 anos)e Itália (83,9 anos) encabeçam a lista das maiores expectativas de vida enquanto Botsuana (32 anos), Suazilândia (42,4 anos), Lesotho (43,9 anos), Zimbábue e Afeganistão (44,2 anos), Zâmbia (44,7 anos) e Moçambique (45,6 anos) encerram essa lista de forma cruel e indigna à condição humana.

 

Segundo o IBGE, em 2012, a esperança de vida ao nascer para o homem era 71 anos e para as mulheres de 78,3 anos. Estima-se que em 2030 possamos ultrapassar a barreira dos 80 anos, mesmo com uma legião de brasileiros sem acesso à infraestrutura sanitária, à cuidados minimamente aceitáveis de saúde pública, à oferta permanente de  medicamentos em serviços públicos de saúde, às políticas públicas ainda incipientes de combate a violência de toda ordem e às parcas medidas de inserção social dos que vivem em situação de ultrajante humanidade.

Em resumo: a falência da Federação Brasileira com a hedionda e deliberada incompetência, irresponsabilidade e descaso dos representantes da população nas diversas instituições que a constituem, seja Executivo, Judiciário e Executivo, que impõe o aguçamento do fosso social entre os diferentes Brasis, pode estagnar a melhoria verificada nas últimas décadas.

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