03/10/2017 - 17h14min - Autor: Ricardo Silva de Souza

A conquista do espaço: Que lições ficaram?

A conquista do espaço: Que lições ficaram?

É possível que se tivesse havido colaboração mútua entre as duas superpotências, ao invés de uma descabida competição pela supremacia da ordem mundial, poderíamos ter alcançado resultados mais úteis para a humanidade, inclusive com menor desperdício de escassos e custosos recursos financeiros

O final da 2ª Guerra Mundial, com a Europa praticamente toda arrasada, foi, num primeiro momento, o pano de fundo da migração de cientistas ligados aos estudos de propulsão à jato para os Estados Unidos, dentre estes o alemão Werner Von Braun e, num segundo momento, à uma corrida espacial entre as duas superpotências de então, EUA e URSS.

Muito da conhecida Guerra Fria aconteceu fora dos domínios do nosso planeta e culminou com a chegada do primeiro homem à Lua, em 1969. 

Em 1957, os soviéticos já haviam chocado o mundo ao lançar o primeiro satélite artificial na órbita da Terra, o Sputinik. Logo depois colocaram em órbita o primeiro ser vivo, a cadela Laika. Na sequência, em 1961, Yuri Gagarin tornava-se o primeiro homem a orbitar a Terra.

Com a economia no auge, os Estados Unidos podiam investir grandes somas de dinheiro no desenvolvimento de um programa lunar. Do outro lado, os governantes da União Soviética não estavam dispostos a financiar uma aventura tão cara.

No lugar disso, lançaram uma série de missões menos custosas à órbita baixa da Terra, dentre as quais, destacam-se duas de 1963: o voo orbital mais longo da história até aquela data (que durou cinco dias) e a primeira mulher a ir ao espaço, Valentina Tereshkova.

Em 1965, mais uma conquista: Alexei Leonov tornou-se o primeiro ser humano a realizar uma caminhada espacial.

Existe um fato, praticamente desconhecido do grande público, que demonstra o quanto os russos estiveram próximos de terem a primazia de pisar no solo de nosso satélite natural. Trata-se do Programa Luna, designação dada a uma série de missões espaciais não tripuladas enviadas à Lua pela União Soviética entre 1959 e 1976. Quinze naves foram bem sucedidas e realizaram muitas experiências, estudando a composição química, a gravidade, a temperatura e a radiação da Lua. O veículo espacial Luna 2 se chocou contra a superfície da Lua em 1959, tornando-se o primeiro objeto de fabricação humana a atingir o nosso satélite natural. O fato deu aos soviéticos uma vantagem na "corrida espacial", o que fez com que os Estados Unidos acelerassem seu programa espacial. 

Não se deve esquecer que, enquanto os americanos nos anos 80 do século passado estavam empenhados no desenvolvimento das naves retornáveis, os russos construíram e mantiveram, por anos, a primeira estação orbital permanente, a MIR, que, inclusive, viabilizou a construção da Estação Espacial Internacional, em operação até os dias de hoje.  

É possível que se tivesse havido colaboração mútua entre as duas superpotências, ao invés de uma descabida competição pela supremacia da ordem mundial, poderíamos ter alcançado resultados mais úteis para a humanidade, inclusive com menor desperdício de escassos e custosos recursos financeiros. A lembrança desse momento histórico não deve jamais ser esquecida, especialmente quando se assiste a uma nova polarização global, agora com a chegada da China neste novo cenário internacional.

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