13/09/2017 - 07:31h - Autor: Ayrton Dias

Destinos Turísticos Inteligentes

Um novo conceito no setor do turismo

Destinos Turísticos Inteligentes

A Espanha nos últimos anos tem obtido resultados crescentes e qualitativos com a atividade turística. Visando manter-se na liderança e atenta às mudanças do mundo, principalmente do comportamento do turista, esse país desenvolveu a estratégia de destinos turísticos inteligentes. O cenário chamou a atenção de outros países, que estão realizando também suas transformações baseadas no aprendizado e conteúdo. O Sebrae, por sua atuação histórica no turismo, construiu um canal com os pequenos negócios deste segmento em todo o território brasileiro e passou a desenvolver, à partir de 2016, a estratégia de destinos turísticos inteligentes (baseado no trabalho realizado pela espanhola Seggitur) visando apoiar os pequenos negócios em sua inserção neste novo modelo de turismo que cada vez mais se consolida no mundo.

A coordenadora de turismo do Sebrae nacional Graziele Junia Pereira Vilela esteve recentemente em Nova Friburgo para apresentar o projeto ¨Destinos Turísticos Inteligentes" - Foto Êxito Rio

Para implementar a nova estratégia, neste ano já estão sendo realizadas algumas iniciativas que visam atender pequenos negócios, da cadeia de valor do turismo em todo Brasil, através de um conjunto de ações especificas para cada território, com objetivo de transformá-los em destinos turísticos inteligentes. A Êxito Rio, em entrevista exclusiva, tratou desse assunto com Ana Clévia Guerreiro, gerente da Unidade de Atendimento Setorial Comércio e Serviços do Sebrae nacional:

A relação entre Cidades Inteligentes (smart cities) e Destinos Turísticos Inteligentes (DTI) determina uma maior possibilidade de êxito. Um município como Bonito (MS), por exemplo, não seria competitivo nesse novo conceito, concorda?  

- Estamos construindo o conceito de destinos turísticos inteligentes baseados em quatro grandes eixos: Tecnologia, Governança, Experiências Turísticas e Sustentabilidade. Os dois primeiros são considerados o sistema nervoso e a alma do conceito, uma vez que precisamos de infraestrutura tecnológica para o êxito da estratégia, assim como precisamos de integração entre os diferentes atores para que as ações sejam bem executadas e a transformação pretendida seja apropriada por quem de fato faz com que o turismo aconteça no território. Nesse contexto, não existe limitações para os destinos. 

Na Espanha, por exemplo, a metodologia de Destinos Turísticos Inteligentes desenvolvida pela Segittur (Sociedad Estatal para la Gestión de la Innovación y las Tecnologías Turísticas) é implementada em ilhas. Ser inteligente significa usar a tecnologia como aliada e como facilitadora das experiências turísticas. Não estamos falando de destinos "hightech", que fogem de suas características originais e podem até perder o encanto, como Bonito (MS). Mas estamos falando de uma tecnologia que se torne imperceptível, justamente por ela fazer com que tudo funcione bem e de forma integrada. O turista pode ir para Bonito (MS) e querer ficar desconectado, isolado da civilização e em profundo contato com a natureza. Mas se ele também quiser ir, curtir os atrativos naturais e compartilhar tudo em suas redes sociais, o destino precisa estar preparado. 

O DTI é um projeto ou programa do Sebrae? 

- DTI são projetos do Sistema Sebrae, cuja estratégia é liderada pelo Sebrae Nacional e a execução se dá por cada Sebrae nos estados. 

Atualmente quais os municípios estão se destacando como um DTIs? Se possível, cite 3 do Brasil e 3 do mundo. 

- No Brasil, ainda é prematuro apontar destaques, uma vez que poucos tem falado sobre DTI. Contudo, o Sebrae está com projetos na maioria dos estados e temos a expectativa que, até o final de 2018, muitos se destaquem nessa estratégia. No mundo, a Espanha lidera esse movimento, por isso os municípios espanhóis se destacam, tais como as Ilhas Canárias, Barcelona e Madri. 

Acredito que uma grande barreira para a implantação desse conceito de turismo inteligente esteja relacionada aos provedores de internet. Posso citar o exemplo do famoso Balneário de Armação dos Búzios (RJ) que conta com grande precariedade de sinal. Existe alguma iniciativa governamental prevista para sanear esse problema? 

- O Sebrae pretende ser um elo entre essa demanda de infraestrutura tecnológica dos pequenos negócios e o poder público. Não podemos falar de iniciativas governamentais, que não nos competem, mas nossa proposta é agregar entes públicos nesse processo de transformação dos destinos turísticos brasileiros.  

Com a “Internet das Coisas” a tendência é simplificarmos os processos através da tecnologia digital permitindo uma maior personalização do atendimento em meios de hospedagem. As agências de viagem correm o risco de perderem a utilidade? 

- Diversos setores tradicionais estão sendo forçados a repensar os modelos de negócios em função das revoluções tecnológicas. E as agências de viagens são fortemente impactadas por essa tendência de desintermediação da economia. Contudo, não significa que elas estão perdendo a utilidade. O contexto permite que elas se reinventem, que ofereçam serviços que não podem ser consumidos sem o intermédio delas. 

Mais do que vender viagens, elas precisam vender sonhos, experiências. E acompanhar como esses sonhos e experiências são vividos, são compartilhados, são lembrados. Por isso as agências precisam conhecer e atuar em toda a jornada do turista, no antes, durante e na pós-viagem. 

Para auxiliar nesse reposicionamento das agências de viagens, o Sebrae e a Braztoa estão realizando o Desafio de Turismo Inteligente, que estimula que as startups pensem e proponham soluções para renovar o papel do agente na cadeia produtiva do turismo. Estamos realizando seletivas nas macrorregiões brasileiras nas quais as duas melhores propostas das startups, de cada macrorregião, serão selecionadas para a grande final na feira Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), que acontecerá no mês de setembro, na cidade de São Paulo.     

A famigerada ficha que preenchemos no check in em meios de hospedagens está com os dias contados? 

- Com certeza! Hoje já temos tecnologia suficiente para coletar os dados dos hóspedes, que são demandados pela legislação, sem usar a ficha no check in. E é possível dizer que, em futuro bem próximo, com o uso de celular, nem na recepção os turistas precisarão passar nos momentos de entrada e saída. Dessa forma, economizaremos preciosos minutos que poderemos usar no desfrute das viagens.  

Gostaria de informar mais sobre os destinos turísticos inteligentes? 

- O Sebrae entende que os pequenos negócios podem ser indutores dessa grande transformação dos destinos turísticos brasileiros. Estamos falando de tendências muito fortes que estão mudando radicalmente a forma como viajamos. Por isso, precisamos que a transformação no Brasil comece de alguma maneira, e o Sebrae se propõe a ser pioneiro do tema no Brasil. Até o momento, estamos falando de 46 projetos de Destinos Turísticos Inteligentes, espalhados em mais de 20 estados brasileiros, com um investimento do Sebrae de mais de R$ 50 milhões. Esse é um passo que deverá agregar parceiros públicos e privados para que a onda de mudanças seja cada vez maior. 

 

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