10/04/2017 - 10h15min - Autor: Roberto Vassallo

QUALIDADE DE VIDA: SINÔNIMO DE FELICIDADE

QUALIDADE DE VIDA: SINÔNIMO DE FELICIDADE

Na frenética agitação do dia a dia em nome da sobrevivência, a maioria das pessoas não se dá conta da importância da compreensão equilibrada entre os mundos físico e espiritual. Esse esclarecimento torna-se cada vez mais significativo porque influi diretamente na nossa qualidade de vida, um bem perseguido por muita gente, cuja relevância, volta e meia, ganha destaque na mídia.

Entretanto, no campo da Metafísica que propõe decifrar alguns enigmas que rondam o conhecimento transcendental, muitas perguntas permanecem ainda sem resposta. Uma delas diz respeito à manifestação da Vida humana na Terra. Por que, indagam, somos hoje sete bilhões de almas viventes? De onde saíram tantas almas para animar corpos humanos em sua diversidade de caráter, comportamento, temperamento, aptidões, ambições, sonhos a serem realizados e metas alcançadas?

FÁBRICA DE ALMAS

Volta e meia batemos de frente com uma questão intrigante que fustiga o íntimo daqueles que, por natureza, são inquiridores.

Para começo de conversa, o grande objetivo de nossa presença aqui é a evolução, e o vertiginoso aumento da população mundial, a partir de Adão, até os sete bilhões de almas viventes de hoje, confirmam a lei natural. A Metafísica nos fornece uma explicação racional ao postular: o que determina o surgimento de mais um ser consciente na Terra é justamente o impulso instintivo de perpetuação da espécie através da reprodução. Então, o nascimento de mais um menino ou menina por si só justifica a necessidade de cada um aspirar ao aperfeiçoamento, já que nada anda para trás. Até porque sem progresso a evolução é impossível.

A Grande Luz, conforme é definido o Todo-Poderoso, é capaz de se subdividir em frações conscientes de Sua natureza divina quantas vezes forem necessárias, gerando a grande diversidade de personalidades, conforme constatamos atualmente.

Entretanto, cada centelha independente dessa diversidade acha-se eternamente conectada à Fonte.

Pelo exposto, a aludida "fábrica de almas" não existe na prática, segundo o equivocado entender de alguns. O que há é apenas a Unidade que se fraciona, e as frações que juntas constituem a Unidade, uma vez que tudo acha-se interligado.

Esmiuçando o assunto, como um dos princípios básicos que norteiam a evolução humana é a auto-apreciação, e esta só é possível graças à dualidade corpo-alma, então, todo esse longo processo de aprendizado via altos e baixos da vida, através de inúmeros renascimentos, só é viável no plano terrestre. Se o motivo fosse outro, os sete bilhões de almas viventes aqui não estariam, logo, não precisariam se manifestar por intermédio de uma estrutura feita de carne e osso.

AMPLIANDO O ENTENDIMENTO

Em todas as culturas a Metafísica sempre marcou forte presença. Senão, vejamos:

A Metafísica judaica tem a sua representação na Cabala; a árabe no Sufismo; a egípcia nas antigas Escolas de Mistérios; a hindu, nos Upanishads, que disseca a doutrina metafísica ou esotérica dos Vedas; a católica romana no misticismo de São João da Cruz (Obras Espirituais), e assim por diante.

Metafísica, por definição, é a parte da Filosofia que tem por objetivo a busca da realidade. Estuda ainda a natureza do conhecimento. Vista por um outro ângulo, é o conhecimento do Absoluto, das causas do Universo e do próprio Conhecimento. Unida à Ontologia que investiga a ciência de todo o ser, forma o que chamaríamos de associação ideal integral , isto é sem brechas, incapaz, portanto, de levantar suspeitas ou interpor dúvidas a respeito desse fascinante assunto.

Embora possa existir uma aparente incongruência ao se lançar mão da Metafísica e da Ontologia para explicar a evolução, no fim das contas, a lógica se afunila visando um objetivo único. E consegue. 

Modificando um pouco esse conceito, porém sem fugir do tema, olhada por um outro prisma, a Metafísica não deixa de conferir ao sentimento e à intuição a primazia sobre a razão e a experiência, uma vez que o conhecimento do Absoluto não pode ser alcançado pela via intelectual, que é apenas um meio de interpretar, mas não de percebê-Lo por "insight". Daí,  a magistral definição de misticismo oferecida pelo americano Barry Dixon: Misticismo é conhecimento ou experiência intuitiva e direta de Deus.

Por outro lado, como a constituição humana é dual, isto é, composta por um corpo carnal e por uma alma espiritual, esta, logicamente, não se acha excluída da integralidade, conforme vimos acima, uma vez que é a energia perene da Grande Matriz Cósmica. 

Na verdade, um dos aspectos da natureza humana que tem sido incompreendido até agora é o da personalidade. A partir daí, uma relação deve ser estabelecida a fim de facilitar a compreensão. A individualidade está para o ego, assim como a personalidade está para a alma. Embora essa descrição dê margem a uma aparente sensação de separação, pontualmente todos esses atributos acham-se aglutinados na mesma entidade. Daí o termo personalidade-alma ser uma redundância.

Com efeito, a personalidade é a roupagem da alma por assim dizer, e esta, com todas as suas experiências em cada período de vida na Terra, sobrevive à morte.

Ora, como quem morre é incompetente, então, em respeito ao aperfeiçoamento individual, objetivo traçado para a nossa raça, é preciso viver, viver é preciso!

Na verdade, muita gente hoje, em sua obsessão pelo além não se acha nem um pouco interessada em pôr os pés no aquém. Com isso esquecem de celebrar a VIDA, o maior espetáculo da Criação!

Prolongar a vida, eis uma oportunidade imperdível de apressar a evolução, uma forma avançada de se atingir a tão almejada imortalidade.

A propósito, a Natureza já nos deu um exemplo magistral de imortalidade, por intermédio de uma espécie de água-viva. Trata-se da Turritopsis nutricula, que tem a incrível capacidade de inverter  seu processo biológico e retornar ao estágio inicial de sua existência após atingir a maturidade. Noutras palavras, ela desenvolveu a imortalidade biológica. A referida água-viva é capaz de alterar o estado de qualquer célula do seu corpo, regenerando-se quantas vezes desejar. O segredo está no processo chamado cientificamente de transdiferenciação. Considerado imortal, esse curioso invertebrado já teve sua população aumentada tantas vezes que se espalhou do Mar do Caribe para o resto do mundo. A Turritopsis nutricula vem sendo objeto de estudo por diversos cientistas em várias partes do planeta.

OS DOIS TIPOS DE INFORMAÇÃO

Consoante ficou enunciado acima, a natureza humana só tem condição de se expressar autoconscientemente na Terra devido à dualidade. A partir daí a lei natural a ela se aplica toda hora.

No que tange à memória, não é diferente. Antes, porém, deve ficar claro que a memória, por definição, é a capacidade de acesso aos dois arquivos de informações: o cerebral e o instintivo.

Via de regra nos acostumamos mais a utilizar a memória cerebral a fim de obtermos, por intermédio da lembrança, a informação que queremos. Todavia, o arquivo cerebral só trabalha com as informações captadas voluntariamente pelo estudo, análise de fatos ou acontecimentos que nos despertaram curiosidade ou interesse. Por isso, só temos lembrança do que foi assimilado pela conscientização, termo assaz valorizado atualmente, por razões sociais, ecológicas etc. Contudo, a base de dados alcançada por esse processo é limitada, variando muito de pessoa para pessoa. Mesmo porque minha curiosidade ou interesse real por determinado assunto difere totalmente do seu. E não é à toa que que a voz popular diz: duas ou mais cabeças, quando reunidas e focadas num objetivo comum, pensam melhor. É a diversidade contribuindo para a unanimidade. Mas, pelo fato da maior parte de nossas vidas lançarmos mão apenas do arquivo cerebral, confiando exclusivamente neste, chega um momento, como é perfeitamente natural e compreensível, em que, salvo algumas exceções, essa memória começa a falhar e a se desgastar pelo uso excessivo. Então, ela entra em curto-circuito, interpretado como colapso. Daí, esquecimentos frequentes costumam ocorrer. Por conseguinte, não seria demais enfatizar: a memória tem a sua contraparte: o esquecimento. Nessa situação, sem saber o que está acontecendo, o sujeito tende a entrar em pânico, sua confiança estremece, achando erroneamente que está envelhecendo ou sofrendo de algum mal. Coisa nenhuma!

Para acabar com toda essa insegurança é só dar umas longas férias à memória cerebral. 

Nessa hora, aqueles que rotineiramente são obrigados a lidar com um grande volume de informações, a título de exemplo, perguntam: "E aí, como é que fica?" A resposta está na disposição de cada um  em começar a mudar de atitude, ou seja, ativar pela prática a memória instintiva, dando o merecido descanso ao cérebro em seus procedimentos cansativamente lógicos e racionais.

No entanto, é preciso que se diga: o registro instintivo de informações que pertence ao reino do subconsciente, é muito mais amplo, rico e confiável do que o cranial. Nele acha-se gravado todo o conhecimento cósmico, terreno e o que aguarda ser revelado. Inclui o passado, o presente e o futuro.

Muitas das grandes descobertas e os lances criativos que notabilizaram homens e mulheres ao longo dos séculos, provieram desse fantástico meio de se obter informações.

O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA

Paradoxalmente, esquecer de alguma coisa pode ser um sinal de que o cérebro está funcionando bem, garantem cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia. O estudo dos americanos revelou que o cérebro reforça as memórias que considera mais relevantes, mas também suprime, propositalmente, as que terão menos serventia. Ou seja, ao contrário do que a maioria pensa, o processo de esquecer é fundamental para o bom funcionamento da mente. Para chegar a essa conclusão, os cientistas fizeram imagens do cérebro de voluntários que participavam de um teste de memória. 


Pesquisa: Instituto Aqualung

e Jornal O Globo.

 

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