24/03/2017 - 08:05h - Autor: Attila Mattos

OS FILHOS DE ARGEMIRO E SEUS ANIMAIS EXÓTICOS

Zoonoses: doenças dos animais transmissíveis ao homem.

  OS FILHOS DE ARGEMIRO E SEUS ANIMAIS EXÓTICOS

                Entro no passado quando lembro aquela quarta-feira à tarde em que Argemiro de Paiva chegou mais cedo e encontrou sua esposa, Regina, na cama com seu amigo Júlio. Apesar da agonia, ele não tomou qualquer atitude enlouquecida; saiu, procurou um amigo, beberam num botequim e depois foi para casa dormir. Naquela semana o casamento de 14 anos se desfez. Por conselho dos colegas do banco, Argemiro partiu para a maior gandaia. Passou a frequentar todos os bares, boates e demais casas noturnas da Lapa e de outros bairros do Rio de Janeiro.Naquele momento do Brasil, 1982, ouvia-se o clamor do povo nas ruas pelo “ABAIXO A DITADURA”. A ditadura militar ainda dominava, mas já mostrava sinais de estertorar diante dos anseios populares de liberdade.

        Argemiro continuava na sua vida de esbórnia ainda machucado e com as lembranças da traição, mas já mostrava sinais de segurança e da auto-estima em recuperação. Foi numa dessas andanças pela noite que entrou numa lanchonete e foi atendido por Clarisse. Ela era falsa magra e simples, mas de uma beleza e elegância discretas que, de pronto, encantaram meu amigo. Ele segurou sua mão, aproveitando seus dotes adquiridos de galanteador, e disse palavras que toda mulher normal quer ouvir; o tipo de cantada leve, mas verdadeira e que vem do coração. Argemiro, já meio cansado da vida boêmia, viuo que tinha de mais belo no âmago daquela mulher, e daí, a possibilidade de amar verdadeiramente outra vez. A coisa não foi pensada e sim, intuitiva. Voltou várias vezes à lanchonete e começaram a namorar.

       Haviam se passado alguns anos e, aos gritos ainda de “ABAIXO A DITADURA” e depois “DIRETAS JÁ”, o general Figueiredopôs fim ao regime ditatorial militar no Brasil. Foi nesse clima de euforia civil que Argemiro e Clarisse marcaram o casamentopara o dia 7 de setembro de 1985. Dessa união surgiram dois filhos; Antonio e Pedro.

       O tempo passou e, na adolescência, Pedro começou a se interessar por animais exóticos tais como cobras lagartos e outros, causando surpresa e estranheza nos seus pais. Pedro comprava casinhas, objetos e rações especiais como se fossem para animais domésticos de estimação tais como cães e gatos. Até aí, tudo bem, pois cada um tem suas escolhas desde que não prejudique ninguém, e a criação de cobras não venenosas e de outros animais desse tipo, que hoje são moda entre muitos jovens, realmente não trazem prejuízo a quem quer que seja.  Pedro capturava ratos para alimentar sua cobra e um dia apresentou quadro de febre alta ficando duas semanas internado no hospital.  Pedro sofreu muito e sua família também.

      Eu escrevo esses artigos para esclarecer do risco que os animais oferecem de transmitir doenças ao homem; as zoonoses. Essa é a minha função de Médico Veterinário e, sendo assim, sanitarista.  Os ratos e outros roedores silvestres, por exemplo, podem transmitir a febre hemorrágica com síndrome renal, a leptospirose e outras doenças. Portanto, é preciso ter consciência e tomar cuidados preventivos. Deve-se procurar orientação técnica antes de tudo.

Enfim, é preciso amar os animais com responsabilidade!!!

 

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