21/03/2017 - 10:00h - Autor: Atilla Mattos

HENRIQUE, SUA PETSHOP E OS POMBOS

Zoonoses: doenças dos animais transmissíveis ao homem

 HENRIQUE, SUA PETSHOP E OS POMBOS

          É impressionante o crescimento do mercado de petshops no Brasil e no mundo. As empresas de banho e tosa e as lojas de produtos para animais, vêm se multiplicando de forma grandiosa. Existem hoje verdadeiros supermercados desse tipo de produto e serviço. Na verdade esse fenômeno acompanha o maior respeito que o homem passou a ter pelos animais. Foi observando esse espaço que Henrique resolveu abrir seu negócio ligado à clínica veterinária de seu pai.

         Henrique é filho de um pai alucinado pela natureza que aos 14 anos teve uma intuição de que deveria sair do centro urbano e direcionar sua vida para o interior. Baseado nessa intuição, ele mudou sua opção de música ou jornalismo para fazer vestibular para Medicina Veterinária. Com essa idéia ele influenciou vários amigos que também optaram por profissões ligadas ao campo naqueles anos da década de 1970 a 1980. Na verdade, essa foi uma tendência de muitos jovens daquele momento em que se negava o modelo de vida estritamente urbano para uma filosofia mais preservacionista do meio ambiente.

        Henrique, que é o quarto filho de uma prole de cinco, já encontrou seu progenitor aos 40 anos de idade e bem sucedido. Era natural que seguisse a profissão do pai por já encontrar uma clientela feita. No entanto, quando acompanhava seu pai num serviço de toque retal para diagnóstico de gestação de uma vaca, Henrique decidiu que não tinha aptidão para tal ofício. Pensando assim, direcionou sua vida profissional para a área de administração de empresas e, num determinado momento, percebeu que poderia aproveitar o espaço e a clientela de seu pai para montar sua petshop. Em pouco tempo sua loja era um grande sucesso principalmente pela capacidade administrativa de Henrique.

        Em meio ao grande movimento comercial, a loja de Henrique começou a receber a visita de pombos, talvez atraídos pelo cheiro de ração.  A presença dos pombos tornou-se um aspecto pitoresco e Henrique passou até a colocar ração própria, o que gerou a proliferação dos pássaros no bairro. Em conversa com o responsável técnico de sua loja, este o alertou quanto ao risco do aumento da população de pombos, mas Henrique contraditou dizendo que os pombos eram um atrativo para seu negócio.

      Numa terça-feira pela manhã, Henrique foi procurado pelo serviço de defesa sanitária do município devido à notificação de um caso de criptococose. A pessoa afetada era um freguês da petshop que estava internado no hospital com risco de morte.

      A criptococose é uma doença grave causada pelo fungo Cryptococcus neoformans e transmitida por pássaros (pombos, morcegos e outros) através do contato direto com as fezes ou por inalação do pó de fezes secas. Ocorre inicialmente um foco no pulmão e depois no cérebro causando quadro neurológico. Também podem ocorrer focos na pele, mucosas, ossos e outros órgãos. Os sintomas são: febre alta, dor torácica, hemoptise, nódulos nos pulmões, rigidez na nuca, distúrbios visuais e meningite. É quase sempre fatal se não for tratada adequadamente. O controle da doença é feito pela contenção da população de pombos.

    Felizmente o freguês de Henrique não morreu, mas fica a orientação de que não devemos alimentar os pombos para não estimular o aumento de sua população nas cidades e no campo. Os pombos devem buscar seu alimento normalmente na natureza.

    Para Henrique e para todos nós fica a lição de sempre:

  “É PRECISO AMAR OS ANIMAIS COM RESPONSABILIDADE”

   

 

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