09/11/2016 - 09h39min - Autor: Ricardo Silva de Souza, geólogo.

VÍRUS: O INIMIGO FORA DO NOSSO RADAR?

VÍRUS: O INIMIGO FORA DO NOSSO RADAR?

Poderemos ter, no próximo verão, uma nova doença semelhante à febre Chikungunya chamada febre do Mayaro

Na escala evolutiva dos seres vivos nós, humanos, ocupamos o estágio mais recente de uma trajetória iniciada, há bilhões de anos, com os microorganismos unicelulares, conhecidos como VÍRUS. Essa estupenda diferença de tempo de vida no planeta Terra é o que determina a maior ou menor adaptabilidade dos organismos ao ambiente. Por mais absurdo que possa parecer, não somos tão adaptados à vida na Terra como imaginamos supor.  Mesmo com todo o arsenal técnico-científico que desenvolvemos ao longo de nossa curtíssima história de vida, onde descobrimos uma série de medicamentos poderosos contra doenças gravíssimas, não conseguimos nos imunizar, por exemplo, contra um vírus tão simples e há tanto no nosso convívio como o da influenza ou gripe. Somos presas fáceis desses organismos de simples biologia molecular.

Esses microorganismos estão no papel biológico que lhes cumpre, ou seja, lutar pela sobrevivência de suas diversas espécies e linhagens. Para tanto procuram se adaptar das maneiras mais incríveis para não desaparecer.

Estamos voltando ao período crítico de uma recente epidemia viral onde um único vetor, o mosquito Aedes aegypti, transporta de casa em casa uma bagagem de pelo menos 5 tipos diferentes de vírus, à saber: febre amarela, dengue, zika, chikungunya e o recentíssimo Mayaro.

O Mayaro não é, propriamente, um vírus novo. Foi descoberto em 1954 e é encontrado nas regiões equatoriais e sub-equatoriais do planeta. No último mês de outubro, pesquisadores o identificaram no Haiti, o que leva a suposição dele estar se espalhando pelo continente americano.

Os pesquisadores temem que esse vírus tenha se adaptado à disseminação por mosquitos vetores não apenas silvestres, mas, também, urbanos, como pode ser o caso do nosso Aedes, com presença maciça em todo o território nacional.

 Poderemos ter, no próximo verão, uma nova doença semelhante à febre Chikungunya chamada febre do Mayaro.

Como num conflito bélico, a saúde pública, nos casos de doenças virais, é, também, uma questão de estratégia. Se os vírus não estão, diretamente, ao alcance de nossas armas atuais, o mesmo não se pode dizer de alguns de seus vetores. A nossa saúde ambiental depende do compromisso público e privado com a manutenção de um espaço urbano equilibradamente limpo e saudável. Mãos à toda obra!

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