05/09/2016 - 10h03min - Autor:

OS JOGOS OLÍMPICOS E O DESAFIO PERMANENTE DE SEU LEGADO

OS JOGOS OLÍMPICOS E O DESAFIO PERMANENTE DE SEU LEGADO

Muitas das promessas firmadas em 2009, só para lembrar, o compromisso ambiental de despoluição de 80% da Baía de Guanabara, do Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e da Lagoa Rodrigo de Freitas, não foram cumpridas. Será que as autoridades estão, de fato, comprometidas com, só para citar um exemplo, a manutenção e ampliação dos corredores viários expressos que tem uma importância crucial para o crescimento econômico e bem estar social de uma região metropolitana com cerca de 12 milhões de habitantes?

Estamos, ainda, comemorando o sucesso da realização dos Jogos Olímpicos Rio 2016. De fato foi uma tarefa hercúlea para um País, um Estado e uma Cidade combalidos pelo desastre econômico sem precedentes que estamos vivendo e sua imediata consequência social de 12 milhões de pessoas desempregados, em todo o País. Isso sem falar na crise política que se arrasta desde dezembro de 2015, com desdobramentos sem data para acabar.

Agora, os Jogos Olímpicos Rio 2016, anunciados em outubro de 2009 pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), iniciam o seu terceiro e mais importante desafio.

O primeiro foi exatamente a construção da infraestrutura necessária à realização das diversas modalidades esportivas e aquelas relacionadas à mobilidade de transporte urbano, além da revitalização de parte do centro da cidade, em especial a zona portuária. Destacam-se aí a construção dos corredores expressos, por onde trafegam os Bus Rapid Transit (BRTs), a conclusão da Linha 4 do Metrô (Ipanema à Barra da Tijuca), o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre a Rodoviária Novo Rio e o Aeroporto Santos Dumont

O segundo durou aproximadamente 21 dias e correspondeu à execução de toda logística de mobilização dos 80.000 agentes de segurança pública, da integração dos diversos modais de transporte, do desafio tecnológico envolvido na transmissão do evento para 206 países de todo o mundo, em tempo real, da organização relacionada ao conforto dos mais de 1.000.000 de visitantes e dos mais de 10.000 atletas olímpicos.

Agora se inicia o maior e mais importante desafio que um evento dessa magnitude representa para a cidade e País que o sedia, qual seja, o legado real e definitivo dos investimentos realizados à um custo total de R$40 bilhões, dos quais, aproximadamente 60% oriundos da iniciativa privada e os outros 40% do setor público.

Foi anunciado que quanto às áreas de competição, parte das instalações será desmontada para dar lugar a escolas em tempo integral. Parte será destinada a manutenção de Centro Esportivo de Alto Rendimento para treinamento de atuais e futuros atletas olímpicos. Sabemos que as notícias têm um tempo de circulação pelas mídias, após o qual tornam-se pouco lucrativas e, portanto, passam por uma descontinuidade de veiculação – esquecimento -  e,  consequente cobrança. Sabemos, também, que os recursos necessários para a desmobilização dos equipamentos provisórios e sua adequação aos usos futuros, não estão claramente esclarecidos.  

Muitas das promessas firmadas em 2009, só para lembrar, o compromisso ambiental de despoluição de 80% da Baía de Guanabara, do Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e da Lagoa Rodrigo de Freitas, não foram cumpridas. Será que as autoridades estão, de fato, comprometidas com, só para citar um exemplo, a manutenção e ampliação dos corredores viários expressos que tem uma importância crucial para o crescimento econômico e bem estar social de uma região metropolitana com cerca de 12 milhões de habitantes?

Londres, que realizou seus Jogos Olímpicos em 2012, levou 12 meses para começar a disponibilizar parte de seu legado à população e, ainda hoje, não consumou tudo o que estava previsto para a pós Olimpíada. Estamos falando de um dos países mais ricos da Europa e onde os agentes políticos apresentam alto comprometimento com a população e com as promessas públicas assumidas.

Essa será mais uma oportunidade dada aos nossos políticos de mostrarem à que vieram.  

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