09/01/2018 - 08:13h - Autor: Ayrton Dias

ROTEIRO ANIMAL - TURISMO E PETS

ROTEIRO ANIMAL - TURISMO E PETS

O Parlamento Francês alterou o Código Civil passando a reconhecer os animais como seres sencientes, ou seja, animais têm sentimentos!A partir da mudança,eles não são mais definidos por valor de mercado ou de patrimônio, mas sim pelo seu valor intrínseco como sujeito de direito.A decisão abre importante precedente na França, fazendo surgir novas possibilidades para as organizações protetoras dos animais. Por definição, senciência é a capacidade de sentir, uma condição já há muito tempo atribuída por especialistas a esses seres que sempre foram são capazes de vivenciar seus próprios sentimentos como dor, amor, felicidade, raiva, alegria, amizade e tantos outros, mas que só agora tiveram esse direito reconhecido de forma legal em um código civil. Além desse avanço ocorrido na França,outro caso chamou a atenção mundial. O Supremo Tribunal de Justiça da Argentina também já declarou parecer favorável aos direitos animais concedendo a uma orangotango chamada Sandra, o status de “pessoa não-humana”. Outras nações podem se espelhar nessas mudanças e desencadear ações que abracem os seres irracionais como sujeitos de direitos perante os tribunais.

A relação do ser humano com animais de estimação é antiga e vem cada vez mais ocupando lugar de destaque em várias várias sociedades do mundo.No Brasil, segudo a Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)em 2013, em 44,3% dos domicílios brasileiros existe pelo menos um cão, o que equivale a 52,2 milhões de animais. Este expressivo número, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada também do IBGE no mesmo ano,supera o de crianças (44,9 milhões).

A agente de viagem, da empresa Royal TetonTravel& Tour, Daniella Rúbio tem observado um aumento na procura por informações sobre viagens na companhia de pets, mas informa que existem ainda poucas opções no mercado para esse público. - Foto-Êxito Rio


A companhia do pet para muitas pessoas é “imprescindível” e elas chegam a abrir mão de viajar e frequentar muitos lugares em função das restrições de acesso. Poucos estabelecimentos perceberam a importância de atender a demanda e é difícil encontrar espaços adaptados a esse novo perfil de clientela. Programações específicas com direito a hospedagem e passeios diversos são raros, e locais onde se pode desfrutar  de um “roteiro animal” ainda são muito poucos. É preciso muita paciência na busca de endereços onde é permitidos e curtir os prazeres da vida em companhia do bichinho  de estimação.

A Jornalista e empresária Bruna Verly, seu marido Peterson Oliveira com seus filhos Arthur e Beatriz e o cão Thor em momento de descontração no Espaço de Eventos e Restaurante Trilhas do Araçari. Com amplo espaço ao ar livre, o Trilhas do Araçari é um ótimo local para se frequentar na companhia de pets - Foto-Êxito Rio 


Já é  muito comum a existência de meios de hospedagem para animais, mas nada se compara a sensação única de viajar em companhia do “melhor amigo”. Para se desenvolver um cenário mais favorável a essa forma de turismo  é fundamental que se observe determinadas normas de convivência e se respeite as determinações legais para que, dessa forma,  cada vez mais portas sejam abertas nesse segmento turístico.

Viajando com seu pet

De acordo com uma pesquisa feita pela empresa TripAdvisor, nos Estados Unidos, 44% dos donos de animais de estimação planejam viajar com o seu animal nos próximos 12 meses, enquanto 77% afirmaram já ter viajado acompanhado de seus pets no mínimo uma vez no ano passado.

Pet  Em inglês quer dizer animal de estimação. Ivone Donnici, colunista da Revista Êxito Rio em companhia do seu “louro” e da cadelinha Kika- Foto: Êxito Rio


Considerando que muitos querem viajar com seus animais de estimação, é importante entender os riscos que eles correm em uma viagem, desde se perder dos donos até serem agressivos com pessoas na rua. Assim, preparar-se corretamente para viajar acompanhado deles é crucial para não ter dor de cabeça na hora de relaxar e se divertir. 

Viajar com o pet no Brasil ainda não é muito simples. Poucos meios de hospedagem aceitam essa demanda e os que trabalham no segmento têm regras muito bem definidas para que o espaço dos outros hóspedes seja respeitado. Alguns cuidados básicos podem evitar problemas de última hora. A bagagem do cão, por exemplo, deve ser composta de guia e coleira e ração específica do seu bichinho em quantidade adequada para os dias de férias, pois não se deve contar com a possibilidade de encontrá-la no destino. Potes para água/comida e outros utensílios como toalhas e a “caminha”também não devem ser esquecidos. Antes de viajar consulte um veterinário para que medicação preventiva, vacinas e vermífugos estejam em dia, não se esquecendo de solicitar medicamentos básicos para caso ocorra alguma emergência. 

Transporte 

O trânsito de cães e gatos fica dispensado da exigência da Guia de Trânsito Animal (GTA), para demais pets é bom se informar.Para seguir viagem, os animais deverão estar acompanhados de atestado sanitário emitido por médico veterinário devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária da respectiva Unidade Federativa de origem, comprovando a saúde dos mesmos e o atendimento às medidas definidas pelo serviço veterinário oficial e pelos órgãos de saúde pública, com destaque para a comprovação de imunização anti-rábica.

O médico veterinário Attila Mattos acredita que o atendimento a demanda de pessoas que fazem questão de curtir a vida em companhia de seus animais de estimação vem aumentando muito, pois o número de pessoas que adotam os pets como verdadeiros membros da família está cada vez maior - Foto: Êxito Rio


Para viagens internacionais, deve haver um Certificado Zoossanitário Internacional (CZI) emitido gratuitamente pelo Ministério da Agricultura. O CZI pode ser retirado no aeroporto, antes do embarque, ou na sede do Ministério da Agricultura de cada Estado. A validade é de oito dias. Confira as políticas de quarentena do país de destino antes de embarcar. Os países que têm restrições mais severas são a Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Os cães e gatos são confinados no aeroporto e liberados só depois do período de quarentena, que pode variar de 1 a 6 meses! 

A maioria das empresas de ônibus aceita cães e gatos de pequeno porte, desde que eles tenham a documentação necessária e viajem em caixas adequadas, normalmente no bagageiro, para não incomodar os outros passageiros. Certifique-se das condições antes de adquirir a passagem.   Se a opção for pela viagem de carro, é fundamental que o cão seja transportado em caixas apropriadas. No máximo é possível transportar um cão no banco de trás do veículo e para essa opção é recomendado que seja usado um cinto de segurança adequado Essas recomendações atendem às normas estabelecidas pelo Novo Código Brasileiro de Trânsito que prevê multas e perda de pontos na carteira de habilitação caso essas normas sejam desrespeitas. 

Escolha os horários menos quentes para viajar e tenha em mente que serão necessárias paradas para hidratação e para que o animal faça suas necessidades fisiológicas. O local das paradas deve ser bem escolhido. Pare apenas em postos de gasolina e/ou postos rodoviários e evite parar no acostamento porque o movimento dos carros pode assustá-lo. 

É preferível não alimentar o pet antes de sair para viajar. Prefira oferecer alimentos e petiscos após o término da viagem, garantindo assim que ele não enjoe no caminho. Se não for possível, ofereça a comida em menor quantidade e aproveite alguma das paradas no meio do caminho para ir completando a ração. Se você notar que durante a viagem seu amiguinho está enjoado, o melhor é suspender completamente a alimentação. 

Se o percurso for feito de avião, além do atestado de saúde- que poderá ser fornecido pelo seu veterinário- é fundamental que a reserva seja feita com antecedência porque as empresas aéreas possuem um limite para o transporte de animais em cada voo. Algumas empresas aceitam transportar os pequenos na cabine junto com o dono. Animais maiores viajam no compartimento de bagagem e o peso é cobrado como excesso de bagagem. Algumas empresas aéreas exigem que o animal seja sedado antes do voo. Consulte seu veterinário para que ele informe a dose de tranquilizante necessária. 

Hospedagem 

No Brasil ainda são poucos os hotéis que aceitam gatos e cães como hóspedes. A reserva deve ser feita com antecedência e, acima de tudo, a boa educação do animal é a garantia de férias bem curtidas. 

O turismólogo Alexandre Vidal e Tailla Freitas adoram animais! Eles são proprietários da Pousada Pouso do Tiê, em Lumiar, que tem como diferencial a aceitação de cães. No colo de Vidal a cadelinha Membira, que em tupi-guarani significa filha - Foto: Êxito Rio


Algumas dicas de bom comportamento em hotéis: 

Nunca deixe seu cão destruir coisas no apartamento. Lembre-se que a boa impressão pode abrir portas para outros pets e uma temporada desastrosa pode fechá-las. Cães devem sempre ser conduzidos com guia e coleira, respeitando sempre os outros hóspedes, que podem simplesmente não gostar deles. Se o pet ficar no quarto, leve-o para fazer suas necessidades em local previamente combinado com a gerência e recolha suas fezes.

Procure evitar que bichinho arranje brigas com outros animais do local. Nunca perca seu pet de vista, se ele levar um coice, por exemplo, pode simplesmente arruinar seus planos de férias. Os animais “do local” devem ser respeitados, pois eles estão na própria casa e o seu é apenas um visitante.

 Renan é adestrador de cães e desenvolve um projeto de "adaptação de cães a ambientes familiares" visando a sociabilização em locais públicos em parceria com o Espaço de Eventos e Restaurante Trilhas do Araçari


Outros cuidados 

-Prefira sempre passear com seu pet em horários menos movimentados. 

-Não leve seu cão à praia. É contra a lei e você ainda corre o risco de ser multado ou entrar em brigas com outros usuários da praia. 

-Identifique seu pet com nome e telefone. Ele pode se perder! 

-Durante os passeios, leve sempre saquinhos para recolher as fezes dele. 

-Acima de tudo, é importante lembrar que nem todo mundo adora animais e que mesmo quem gosta pode não querer brincar com o seu. Evitando confusões, você ajuda que outros bichinhos sejam bem recebidos nos destinos. 

Acessos a locais públicos

A presença e/ou permanência de animais em locais públicos como shopping centers, parques, restaurantes, praças, transportes coletivos, clubes, praias etc. Depende de regulamentação municipal e, portanto, varia de cidade para cidade. O ideal é que o dono de animais se informe sobre o assunto na Secretaria de Saúde da sua cidade. O conhecimento de leis é muito importante, mas o bom senso ainda é o melhor conselheiro e deve ser seguido por quem ama seu animal, luta pelos seus direitos e quer ser um cidadão responsável e consciente de suas obrigações. Um papagaio, por exemplo, pode incomodar mais do que um cachorro! Nesse caso, o próprio dono deve tomar providências por uma questão de respeito e cidadania, e não esperar por processos judiciais. Se o cão usar o passeio público como banheiro, o dono deve limpar, mas infelizmente, isso nem sempre acontece, resultando em um total desrespeito a questões de higiene, limpeza e saúde pública.

O empresário Jorge Bräuniger, proprietário do Restaurante Bräun&Bräun, tem o maior prazer de receber clientes em companhia de cães e gatos, desde que seja na varanda e os animais mantidos no chão e com o uso de coleira e guia- Foto: Êxito Rio


Em locais de comércio, nos quais não haja manipulação de alimentos ou remédios, a entrada e permanência de animais ficam a critério do proprietário do estabelecimento. Em locais nos quais há a manipulação de remédios ou alimentos e caso o proprietário aceite a entrada e permanência de animais é necessário que haja um local específico para que o animal esteja acomodado e de acordo com as normas da vigilância sanitária.

O empresário niteroiense Marcelo Medeiros sabe das dificuldades para viajar com seus pets o gato Lion e, principalmente com seu cão de estimação Yuki -Foto: Êxito Rio


Acredita-se que naturalmente ocorra uma maior adequação dos estabelecimentos para atender ao grande público que gosta de viajar em companhia de seu animal de estimação. O mercado pet vem movimentando a economia mundial com o aparecimento de produtos e serviços cada vez mais específico para esse segmento. A tendência é de que haja no setor turístico um aumento em investimentos para atender a crescente demanda de pessoas que têm seus bichinhos como verdadeiras pessoas da família e os educam para conviverem em harmonia com outros seres em locais públicos!

Como funciona a lei em Nova Friburgo

Artigo 131 da Lei Complementar nº 69, que institui o código sanitário do município determina que fica proibida a permanência de animais nos mercados, feiras em espaços fechados, estabelecimentos comerciais  e industriais de alimentos, unidades de educação, clubes esportivos e recreativos, piscinas, estabelecimentos hospitalares e outros de saúde, estabelecimentos comerciais e industriais de medicamentos e congêneres. É importante ressaltar que excluem-se da proibição prevista neste artigo os casos de cão guia e os estabelecimentos legal e adequadamente instalados que lidam diretamente com os animais.  

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