12/07/2016 - 08h26min - Autor: Ricardo Silva de Souza, geólogo.

PEGADA ECOLÓGICA

PEGADA ECOLÓGICA

É fundamental avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável

No rastro do primeiro encontro global sobre meio ambiente em 1972, em Estocolmo, e, posteriormente, da ECO 92, no Rio de Janeiro, em 1992, surgiram novos instrumentos de determinação não apenas dos impactos ambientais associados à atividade humana, como, também, da capacidade de suporte do planeta, como um todo, ou seja, de sua sustentabilidade.

No bojo dessa discussão ambiental, surgiu o conceito de Pegada Ecológica que, resumidamente, avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diversos padrões de consumo e verificar se estão dentro do padrão de suporte ecológico do planeta. Um hectare global significa um hectare de produtividade média mundial para terras e águas produtivas, em um ano. Desta forma, a Pegada Ecológica contabiliza os recursos naturais biológicos renováveis (produtos vegetais, produtos animais, energia renovável, etc) distribuídos pela agricultura, pastagens, florestas, pesca, área urbanizada, energia e absorção de CO2.

Destrinchando os componentes da Pegada Ecológica, temos:

Carbono: representa a extensão de áreas florestais capaz de sequestrar emissões de CO2 derivadas da queima de combustíveis fósseis, excluindo-se a parcela absorvida pelos oceanos;

Áreas de cultivo: representa a extensão de áreas de cultivo usadas para a produção de alimentos e fibras para consumo humano, bem como para a produção de ração para o gado, oleaginosas e borracha;

Pastagens: representa a extensão de áreas de pastagem utilizadas para a criação de gado de corte e leiteiro e para a produção de couro e produtos de lã;

Florestas: representa a extensão de áreas florestais necessárias para o fornecimento de produtos madeireiros, celulose e lenha;

Áreas construídas: representa a extensão de áreas cobertas por infraestrutura humana, inclusive transportes, habitação, estruturas industriais e reservatórios para a geração de energia hidrelétrica;

Estoques Pesqueiros: calculada a partir da estimativa de produção primária necessária para sustentar os peixes e mariscos capturados, com base em dados de captura relativos a espécies marinhas e de água doce. 

As sociedades mais desenvolvidas industrialmente, de modo geral, utilizam-se mais fartamente dos recursos naturais do que as sociedades menos desenvolvidas. Suas pegadas são maiores, pois, ao utilizarem recursos oriundos de todas as partes do globo, afetam locais distantes do seu próprio território, inclusive com a acelerada e exacerbada geração de resíduos. Como, desde a Revolução Industrial, a produção de bens e consumo tem aumentado significativamente, o espaço físico global disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual.

Estudos demonstram que, caso fosse possível fornecer aos 7 bilhões de humanos o mesmo nível de oferta de bens e serviços, hoje, disponíveis para as sociedades mais ricas, teríamos de ter quase dois planetas Terra.

Não é possível assegurar a existência das condições favoráveis à vida sem conhecer a real “capacidade” do Planeta, ou seja, precisamos viver de acordo com que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse.

É fundamental avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.

Essa é a única possibilidade de sobrevivência humana no Planeta Terra.

Fonte: WWF Brasil

 

 

Parceiros