11/09/2017 - 07:00h - Autor: Chico Vellozo

A arte de mentir

A arte de mentir


Entendo que a política é a arte de mentir! Percebe-se claramente a valorização da habilidade de enganar as pessoas no discurso dos eleitos pelo povo. São palavras muito bem articuladas, ditas com muita segurança e, principalmente, numa arrogante tranquilidade. A banalização do "mal feito" é uma característica funesta daqueles que se dizem representar a sociedade. O que estamos vivendo é, verdadeiramente, um absurdo. As crises política e econômica vêm sendo construídas há algum tempo e não é preciso ser muito bem informado para saber que estamos sendo iludidos de forma clamorosa, e o pior é que nos acostumamos a isso. 

O problema não é dos políticos, o problema é nosso. No meu caso, tento contribuir para um país melhor com ações dignas no dia a dia e,  singelamente, através dos meus textos nos quais a minha indignação é transcrita para o papel na intenção de multiplicá-la. Pelo menos tento colaborar de alguma forma, já que não tenho estômago para me envolver diretamente com partidos, campanhas, eleições e, principalmente, com pessoas que sabem lidar muito bem com tudo isso. O ambiente não é para escoteiros! 

Certa vez comentei com um jovem parlamentar a minha visão sobre o assunto. Ele se mostrou indignado e tentou argumentar, mas ele mesmo sabia que para seguir em frente na vida política teria que mentir ou, no mínimo, falar o que o as pessoas querem ouvir. Aparentemente muita gente gosta de ser enganada, pois a verdade nua e crua assusta. É melhor contornar a realidade criando expectativas e, infelizmente, é assim que funciona! 

Como esse cenário pode ser mudado? Sinceramente não sei! Acredito que o atual perfil da classe política seja aperfeiçoado, principalmente em função das redes sociais. Nelas, a sociedade se organiza de uma maneira ágil e funcional e isso pode fazer toda a diferença. Sou de uma geração que cresceu na expectativa da democratização do Brasil. Quando passamos a desfrutar de um país livre da ditadura militar é que percebemos a dificuldade de se lidar com tanta liberdade, aí veio então a "ressaca democrática"! Atualmente os “nativos da democracia” têm uma percepção melhor das coisas e talvez estejam cansados de tanta canalhice. Resta saber se em seus anseios estão contemplados novos caminhos para o bem comum. 

Acho que já ocorreram avanços significativos no cenário político. O brasileiro, mesmo que muito lentamente, está aprendendo a votar e isso é fundamental para o exercício da democracia. As manifestações populares nas ruas é outro progresso muito significativo, pois demonstrar indignação faz parte do processo de desenvolvimento social numa nação livre. Banalizar a aceitação da mentira não contribui absolutamente em nada. Precisamos valorizar na classe política a proatividade para a representação dos anseios de uma sociedade, não o talento pleno para iludir e legislar em causa própria! 

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